{"id":188599,"date":"2024-02-26T05:48:06","date_gmt":"2024-02-26T09:48:06","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=188599"},"modified":"2024-02-26T08:52:02","modified_gmt":"2024-02-26T12:52:02","slug":"artigo-gaudencio-torquato-a-mesmice-dos-governantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-a-mesmice-dos-governantes\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  A mesmice dos governantes"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-188600\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/site-gaudencio1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1626\" height=\"789\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/site-gaudencio1-1.jpg 1626w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/site-gaudencio1-1-260x126.jpg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/site-gaudencio1-1-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/site-gaudencio1-1-768x373.jpg 768w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/site-gaudencio1-1-1536x745.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1626px) 100vw, 1626px\" \/>\u00a0 O <strong>mspontocom<\/strong> publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<div class=\"m_343660290588970885he-col m_343660290588970885he-last\">\n<table class=\"m_343660290588970885he-col\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>\u00a0Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>Um sentimento de mesmice invade a alma nacional. A luta pol\u00edtica, que tende a se acirrar na arena do processo sucess\u00f3rio municipal, abrir\u00e1 a conhecida guerra entre perfis cansados, bord\u00f5es gastos e raros elementos de diferencia\u00e7\u00e3o. Os gestores novos est\u00e3o muito longe dos horizontes. Os opositores, por sua vez, preparam suas tubas para expressar um repert\u00f3rio de den\u00fancias. Essas, por\u00e9m, ao contr\u00e1rio do que seria de esperar, ter\u00e3o o efeito de anestesia social. A repeti\u00e7\u00e3o cansativa de atos ilegais acaba embrutecendo a sensibilidade, como se uma pesada camada de chumbo passasse a cobrir os corpos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo federal, ap\u00f3s um ano e tr\u00eas meses, ainda n\u00e3o ganhou plena confian\u00e7a da comunidade pol\u00edtica. \u00c9 reativo, n\u00e3o proativo. Os governadores estaduais mais se assemelham a d\u00e2ndis no meio da escurid\u00e3o. Em seus gabinetes, j\u00e1 se sente o gosto de caf\u00e9 requentado. Os parlamentares de todos os cantos, n\u00e3o apenas do centr\u00e3o, correm pressurosos ao balc\u00e3o das trocas, para saber qual a fatia que ainda lhes compete.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A disputa deste ano, mais uma vez, se transformar\u00e1 numa guerra de nomes sem grandeza. Os candidatos a prefeito e o rebanho de candidatos a vereador correm atr\u00e1s de apoio dos partidos, menos em fun\u00e7\u00e3o de conceitos e programas, mas em fun\u00e7\u00e3o do tempo que poder\u00e3o ganhar na m\u00eddia eleitoral. Os governos, nas tr\u00eas esferas, passam a ser atacados de maneira contundente, transformando-se, com certa raz\u00e3o, no maior bode expiat\u00f3rio das demandas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As mazelas v\u00eam \u00e0 tona, a come\u00e7ar pela burocracia, respons\u00e1vel pela imprevisibilidade e improvisa\u00e7\u00e3o dos Governos, pela departamentaliza\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia econ\u00f4mica e pelas tens\u00f5es na esfera da articula\u00e7\u00e3o. A barb\u00e1rie pol\u00edtica tem sido respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o do balc\u00e3o das trocas e pela fragiliza\u00e7\u00e3o da base econ\u00f4mica.\u00a0 O ministro Fernando Haddad que o diga. J\u00e1 a barb\u00e1rie gerencial, associada aos v\u00edcios anteriores, consiste em ignorar a efici\u00eancia e a efic\u00e1cia organizacional como elementos complementares b\u00e1sicos do manejo pol\u00edtico e econ\u00f4mico. H\u00e1, at\u00e9, um Minist\u00e9rio da Gest\u00e3o na m\u00e1quina federal. Que modelo criou?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pior gest\u00e3o, dizem os estudiosos de pol\u00edtica, \u00e9 aquela que consome o capital pol\u00edtico do governante sem alcan\u00e7ar os resultados anunciados e perseguidos e isso ocorre por mau manejo t\u00e9cnico. Os dirigentes esquecem os compromissos de suas campanhas eleitorais, n\u00e3o fazem o c\u00e1lculo do balan\u00e7o da gest\u00e3o e, principalmente, n\u00e3o a projetam para o futuro. Lula chegou ao seu terceiro mandato com a promessa de restaurar a credibilidade do governo, gerir o maior programa de obras da hist\u00f3ria, formar uma alian\u00e7a \u00edmpar com cerca de 20 partidos. O que se v\u00ea? Uma s\u00e9rie de derrotas na frente congressual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos, por sua vez, aproveitam-se das circunst\u00e2ncias para levar vantagem. O momento \u00e9 muito oportuno para aumentar os bornais. A alega\u00e7\u00e3o \u00e9 que precisam irrigar o terreno das bases eleitorais com uma chuva de recursos. O Executivo tem um Minist\u00e9rio da Articula\u00e7\u00e3o, que se tornou um amplo confession\u00e1rio de demandas. A par da Casa Civil, tamb\u00e9m um desaguadouro de pedidos. Os Executivos estaduais parecem desmotivados. Alguns mandat\u00e1rios j\u00e1 deram o g\u00e1s que tinham de dar, e suas equipes deitam-se na cama do \u00f3cio, enquanto os c\u00edrculos mais \u00edntimos locupletam-se de benesses. Come\u00e7am a olhar os horizontes de 2026. O Brasil \u00e9 um eterno vivenciar de elei\u00e7\u00f5es, um evento que ocorre a cada dois anos. Raz\u00e3o pela qual a fome de recursos se alastra por todos os recantos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A m\u00e1quina administrativa, por sua vez, precisa ser submetida a um forte impacto. Est\u00e1 anestesiada. Parece n\u00e3o sentir o cheiro de povo, n\u00e3o ouve o grito rouco das ruas. Hiberna em uma densa e fria camada de gelo. Governo nenhum elege sucessor quando se descola do sentimento popular. Procurar a b\u00fassola perdida, caminhar na dire\u00e7\u00e3o correta, processar com efic\u00e1cia as a\u00e7\u00f5es, ter capacidade para gerenciar problemas e encontrar solu\u00e7\u00f5es, evitar fric\u00e7\u00f5es irrepar\u00e1veis, entrar em regime de mutir\u00e3o, buscar intensamente o foco &#8211; essa \u00e9 a alternativa que requer aten\u00e7\u00e3o de todos os governantes. S\u00f3 assim poder\u00e3o despertar os sentimentos adormecidos da sociedade e gerar novas percep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De tanto olhar a escurid\u00e3o, o olho se acostuma a olhar para o nada. E n\u00e3o percebe os vazios do ambiente. \u00c9 mais ou menos assim o olhar de quem governa. H\u00e1 imensos vazios no espa\u00e7o social. Por isso, os eleitores est\u00e3o distantes dos velhos atores que ensaiam no palco. No plano municipal, fincam-se as bases do edif\u00edcio da pol\u00edtica. A renova\u00e7\u00e3o dos pilares come\u00e7a com novas camadas de cimento e cal. Infelizmente, \u00e9 na base que residem os entraves a um novo modus operandi da pol\u00edtica. Dos 5.570 prefeitos, a imensa maioria ainda pertence ao habitat das velhas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao correr deste 2024, quem surgir encarnando a voz da autoridade, do zelo, dos resultados palp\u00e1veis, dar\u00e1 boas respostas \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o social. Os eleitores n\u00e3o confiam mais em promessas mirabolantes. Muita \u00e1gua h\u00e1 de rolar. Como rugiu Zaratustra, o profeta de Nietzsche: \u201cn\u00e3o\u00a0apenas a raz\u00e3o dos mil\u00eanios &#8211; tamb\u00e9m a sua loucura rompe em n\u00f3s. \u00c9 perigoso ser herdeiro. Ainda lutamos, passo a passo, com o gigante chamado acaso\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. \u00a0Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico Um sentimento de mesmice invade a alma nacional. 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