{"id":191967,"date":"2024-07-02T04:00:03","date_gmt":"2024-07-02T08:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=191967"},"modified":"2024-07-02T06:16:39","modified_gmt":"2024-07-02T10:16:39","slug":"artigo-gaudencio-torquato-a-desesperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-a-desesperanca\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  A desesperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-191968\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/site-artigo-gaudencio-torquato-a-desesperanca-gaudencio1.jpg\" alt=\"\" width=\"1626\" height=\"789\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/site-artigo-gaudencio-torquato-a-desesperanca-gaudencio1.jpg 1626w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/site-artigo-gaudencio-torquato-a-desesperanca-gaudencio1-260x126.jpg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/site-artigo-gaudencio-torquato-a-desesperanca-gaudencio1-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/site-artigo-gaudencio-torquato-a-desesperanca-gaudencio1-768x373.jpg 768w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/site-artigo-gaudencio-torquato-a-desesperanca-gaudencio1-1536x745.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1626px) 100vw, 1626px\" \/>O <strong>mspontocom<\/strong> publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quinto T\u00falio, no ano 64 a.C, em carta ao irm\u00e3o, o grande tribuno C\u00edcero, que se candidatava ao Consulado de Roma, dizia:\u00a0Tr\u00eas s\u00e3o as coisas que levam os homens a se sentir cativados e dispostos a dar o apoio eleitoral: um favor, uma esperan\u00e7a ou a simpatia espont\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessas cartas, que considero o primeiro manual de marketing pol\u00edtico da hist\u00f3ria, Quinto transmitia ao irm\u00e3o as boas regras para ganhar um campanha eleitoral, a partir da estrat\u00e9gia de se locomover junto ao povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Um seguidor atento a esses manejos foi o ex-governador do Rio Grande do Norte, Alu\u00edzio Alves, jornalista, ex-deputado federal, com trajet\u00f3ria iniciada aos 21 anos, cuja campanha de 1960 ao governo do Estado foi um marco para a consolida\u00e7\u00e3o dos eixos do marketing pol\u00edtico no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fincou sua campanha na aura da esperan\u00e7a. Usou o verde como cor. Correu o Estado como um andarilho. Nas proximidades das cidades, montava em um jumento, aparentando viver o cotidiano de um cigano, lendo m\u00e3os de crian\u00e7as curiosas que queriam saber seu futuro. As crian\u00e7as, no dia da elei\u00e7\u00e3o, acordavam os pais, pedindo a eles para votar no cigano Alu\u00edzio. Fez uma campanha lastreada na ideia de\u00a0\u201cUm amigo em cada rua, com 60 com\u00edcios em 16 dias e as Vig\u00edlias da Esperan\u00e7a\u201d. Foi o primeiro a usar pesquisas no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que os com\u00edcios cresciam, em Natal, os advers\u00e1rios come\u00e7aram a menosprezar o tamanho das multid\u00f5es, alertando para n\u00e3o levarem em conta aqueles aglomerados, pois a maioria era de \u201cgentinha\u201d analfabeta e de \u201ccrian\u00e7as\u201d, que iam se divertir, mas n\u00e3o votavam. Alu\u00edzio passou a usar a express\u00e3o \u201cminha querida gentinha\u201d.\u00a0Que, nos com\u00edcios, comparecia com len\u00e7os verdes ou galhos de \u00e1rvores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ganhou a campanha para o deputado udenista Djalma Marinho, apoiado pelo ent\u00e3o governador Dinarte Mariz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Pulemos no tempo. Entra em cena Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, um ex-metal\u00fargico. Pois bem, na contemporaneidade, Lula, sem sombra de d\u00favidas, foi quem melhor soube usar a simbologia da esperan\u00e7a, foi quem melhor plantou na seara cognitiva do eleitorado a semente da mudan\u00e7a, da inova\u00e7\u00e3o, da melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. Em outros termos, incutiu nas massas carentes a esperan\u00e7a de pux\u00e1-las da base da pir\u00e2mide para um canto mais central.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A semente germinou uma grande floresta verde. Que come\u00e7a a perder vi\u00e7o e a se queimar sob o fogo da desesperan\u00e7a, que se mostra nas paredes rachadas de estabelecimentos hospitalares sem equipamentos, em escolas desaparelhadas, em inseguran\u00e7a expandida pela viol\u00eancia, enfim, na precariedade dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Coisas comuns aos governos. Agora, s\u00e3o as classes m\u00e9dias que se afastam do ente governamental, por sentirem na pele (e no bolso) os efeitos da carestia e de promessas n\u00e3o cumpridas. Os planos de seguro privado, por exemplo, se tornam inacess\u00edveis. As tens\u00f5es entre os Poderes se avolumam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O Executivo faz concess\u00f5es ao Legislativo e vice-versa, enquanto o Judici\u00e1rio passar a legislar, entrando em ro\u00e7a alheia. A litigiosidade se expande.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, o produto nacional bruto da infelicidade, que mede a temperatura das classes, produto de um conjunto complexo de valores econ\u00f4micos e sociais, tem crescido. A carga redistributiva de renda, provocada pelo Real (que faz 30 anos), diminuiu, em seu in\u00edcio, o imenso fosso que separa os territ\u00f3rios dos ricos dos bols\u00f5es dos miser\u00e1veis, por\u00e9m, hoje, os famintos na cadeia da cesta b\u00e1sica fazem imensas filas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos meados da segunda d\u00e9cada do terceiro mil\u00eanio, a cara do brasileiro se parece com a do palha\u00e7o triste, capaz de produzir fei\u00e7\u00f5es engra\u00e7adas no palco e, logo a seguir, chorar no camarim. O sentimento \u00e9 o de que a vida \u00e9 um eterno recome\u00e7o. Quando se espera que as coisas melhorem, os desastres aparecem. O cidad\u00e3o se v\u00ea numa ilha amea\u00e7ada por pequenas e grandes cat\u00e1strofes. Esc\u00e2ndalos, corrup\u00e7\u00e3o continuada, favorecimentos, anistia a grandes devedores, aus\u00eancia de crit\u00e9rios racionais, novas fontes de receitas, politicagem, feudos, deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, constituem, entre outros, os condimentos do caldeir\u00e3o pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O fator econ\u00f4mico determina o andar da carruagem. Os servi\u00e7os sociais acabam sujeitando-se ao programa do ministro da Economia, Fernando Haddad.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A toda hora, h\u00e1 reclamos sobre os servi\u00e7os p\u00fablicos. A infelicidade grassa na casa de milh\u00f5es de aposentados, que veem a compress\u00e3o de suas retiradas. A reforma administrativa, t\u00e3o prometida pelos governos petistas, n\u00e3o se realiza. Reforma focada na necessidade de otimizar a equa\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio, tornando as estruturas menores, mais \u00e1geis e funcionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>Os brasileiros querem um Estado protetor e n\u00e3o um Estado usurpador. Mas o Estado foge da figura do pai, que acolhe seus filhos de bra\u00e7os abertos. Receios e medos caem sobre as vidas, fazendo buracos no fundo da alma. Buracos que emudecem as alegrias. E trazem desalento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. 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