{"id":194302,"date":"2024-10-01T04:26:41","date_gmt":"2024-10-01T08:26:41","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=194302"},"modified":"2024-10-01T08:36:07","modified_gmt":"2024-10-01T12:36:07","slug":"artigo-gaudencio-torquato-a-mesmice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-a-mesmice\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato: A mesmice"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-194303\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/site-gaudencio1.jpg\" alt=\"\" width=\"1626\" height=\"789\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/site-gaudencio1.jpg 1626w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/site-gaudencio1-260x126.jpg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/site-gaudencio1-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/site-gaudencio1-768x373.jpg 768w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/site-gaudencio1-1536x745.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1626px) 100vw, 1626px\" \/>O <strong>mspontocom<\/strong> publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<div class=\"m_-7994268338410387105he-col m_-7994268338410387105he-last\" style=\"text-align: justify;\">\n<table class=\"m_-7994268338410387105he-col\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ano vai, ano vem, tudo \u00e9 \u201ccomo dantes no quartel d\u2019Abrantes\u201d. O Brasil abre a Assembleia Geral da ONU com o discurso de seu presidente, os candidatos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es municipais entoam o hino de promessas de sempre, o desgoverno paira sobre os protagonistas em todos os espa\u00e7os, segue a vida aos tr\u00f4pegos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Um sentimento de mesmice invade a alma nacional. A luta pol\u00edtica, que se trava na arena do processo eleitoral, \u00e9 a teatraliza\u00e7\u00e3o de uma velha guerra que exibe perfis costumeiros, bord\u00f5es gastos (como esse enjoado \u201cfulano fez, fulano faz\u201d) e nenhum elemento de diferencia\u00e7\u00e3o. O repert\u00f3rio de den\u00fancias di\u00e1rias, ao contr\u00e1rio do que seria de esperar, tem o efeito de anestesiar a sociedade. A pessoa se belisca e n\u00e3o sente dor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A repeti\u00e7\u00e3o cansativa de esc\u00e2ndalos embrutece a sensibilidade, como se uma pesada camada de chumbo passasse a cobrir os nossos corpos. O Brasil pega fogo. O governo confessa n\u00e3o estar preparado para enfrentar a trag\u00e9dia. Parece um velho trem chegando ao fim da linha, despejando fuma\u00e7a por onde passa. Reativo, perdeu o comando da a\u00e7\u00e3o. Os governadores estaduais se assemelham a d\u00e2ndis no baile do meio do mandato, que mostra sinais de cansa\u00e7o da orquestra. Parlamentares correm pressurosos ao balc\u00e3o das reclama\u00e7\u00f5es para saber se suas emendas chegaram aos currais eleitorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo Lula III come\u00e7a a ser atacado por ina\u00e7\u00e3o. E nem pode berrar alto porque \u00e9 ref\u00e9m de tr\u00eas barb\u00e1ries que amea\u00e7am a prec\u00e1ria governabilidade: as barb\u00e1ries tecnocr\u00e1tica, pol\u00edtica e gerencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A barb\u00e1rie tecnocr\u00e1tica \u00e9 respons\u00e1vel pela imprevisibilidade e improvisa\u00e7\u00e3o do Governo, pela departamentaliza\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia econ\u00f4mica e pelo desprezo ao cintur\u00e3o pol\u00edtico. O excesso de gastos pode inviabilizar o terceiro mandato. \u00a0A barb\u00e1rie pol\u00edtica \u00e9 o balc\u00e3o das trocas. Um governo que anda na corda bamba de apoios que v\u00e3o e vem. E a barb\u00e1rie gerencial, associada aos v\u00edcios anteriores, consiste em ignorar a efici\u00eancia e a efic\u00e1cia organizacional como elementos complementares b\u00e1sicos do manejo pol\u00edtico e econ\u00f4mico. O excesso de minist\u00e9rios n\u00e3o tem muito a mostrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Lula patrocina, em maior ou menor grau, cada peda\u00e7o dessas tr\u00eas barb\u00e1ries. E o resultado a\u00ed est\u00e1: a baixa capacidade de governo, o que comprova a tese muito difundida de que os dirigentes do nosso continente latino-americano, apesar de qualidades pessoais, t\u00eam dificuldades de lidar com a complexidade do Governo. A pior gest\u00e3o, dizem os estudiosos de pol\u00edtica, \u00e9 aquela que consome o capital pol\u00edtico do governante sem alcan\u00e7ar os resultados anunciados e perseguidos e isso ocorre por mau manejo t\u00e9cnico. Os dirigentes esquecem os compromissos e as demandas populares, esquecem de fazer o balan\u00e7o da gest\u00e3o e, principalmente, n\u00e3o a projetam para o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pol\u00edticos, por sua vez, aproveitam-se das circunst\u00e2ncias para tirar proveito. A crise passa a ser oportunidade para aumentar o capital. O Parlamento torna-se um amplo confession\u00e1rio de pedidos. Na esfera do Executivo. os governadores, no meio do mandato, parecem desmotivados. J\u00e1 deram o g\u00e1s que tinham de dar, suas equipes deitam-se na cama do \u00f3cio, enquanto os c\u00edrculos mais \u00edntimos locupletam-se de benesses. A reta final da administra\u00e7\u00e3o precisa receber altas dosagens de oxig\u00eanio e vitaminas de energia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A tecnocracia federal, essa tamb\u00e9m, precisa ser submetida a um forte impacto. Est\u00e1 anestesiada. N\u00e3o ouve o grito rouco das ruas. Est\u00e1 hibernando em densa e fria camada de gelo. Procurar a b\u00fassola perdida, caminhar na dire\u00e7\u00e3o correta, processar com efic\u00e1cia as a\u00e7\u00f5es, ter capacidade para gerenciar problemas e encontrar solu\u00e7\u00f5es, evitar fric\u00e7\u00f5es irrepar\u00e1veis, entrar em regime de mutir\u00e3o, buscar intensamente o foco &#8211; essa \u00e9 a alternativa que resta aos governantes. S\u00f3 assim poder\u00e3o despertar os sentimentos adormecidos da sociedade e gerar novas percep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">De tanto olhar a escurid\u00e3o, o olho se acostuma a olhar para o nada. E n\u00e3o percebe os vazios do ambiente. \u00c9 mais ou menos assim o olhar dos governantes e pol\u00edticos. H\u00e1 imensos vazios no espa\u00e7o social. Por isso, os eleitores est\u00e3o distantes dos velhos atores, a uma semana do pleito de 6 de outubro. Quem surgir\u00e1 encarnando a voz da autoridade, o dom do equil\u00edbrio, as aspira\u00e7\u00f5es mais leg\u00edtimas da popula\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a moral? Babel de linguagens tortuosas e bord\u00f5es de promessas mirabolantes, quem dever\u00e1 dar o tom \u00e9 o clamor da indigna\u00e7\u00e3o social. O povo continua a esperar que os figurantes eleitos cumpram seu dever.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico Ano vai, ano vem, tudo \u00e9 \u201ccomo dantes no quartel d\u2019Abrantes\u201d. 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