{"id":195114,"date":"2024-11-05T04:30:31","date_gmt":"2024-11-05T08:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=195114"},"modified":"2024-11-05T07:37:31","modified_gmt":"2024-11-05T11:37:31","slug":"artigo-gaudencio-torquato-a-esquerda-sem-rumo-e-sem-prumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-a-esquerda-sem-rumo-e-sem-prumo\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato | A esquerda, sem rumo e sem prumo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-195115\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/site-gaudencio1.jpg\" alt=\"\" width=\"1626\" height=\"789\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/site-gaudencio1.jpg 1626w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/site-gaudencio1-260x126.jpg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/site-gaudencio1-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/site-gaudencio1-768x373.jpg 768w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/site-gaudencio1-1536x745.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1626px) 100vw, 1626px\" \/>O <strong>mspontocom<\/strong> publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<div class=\"m_1296263536886901895he-col m_1296263536886901895he-last\">\n<table class=\"m_1296263536886901895he-col\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p style=\"text-align: justify;\">Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O recado do eleitor foi claro: \u201cvamos enterrar a ideologia, se n\u00e3o no cemit\u00e9rio das entidades mortas, pelo menos na gaveta das circunst\u00e2ncias\u201d. Foi o que vimos. O Brasil recolhe as bandeiras da esquerda, pelo menos por enquanto, at\u00e9 que novas circunst\u00e2ncias e o esp\u00edrito do tempo sugiram a necessidade de voltar a trocar as ferramentas da engrenagem. Lendo o recado em letras garrafais: na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o, o eleitor puxou o pa\u00eds para o centro, votando de maneira pragm\u00e1tica, deixando de lado posicionamentos ideol\u00f3gicos de esquerda e extrema-esquerda, e optando por votar com o olho nas demandas ao redor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Saiu da concha, onde se recolhera ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, embalado num pacote de boas promessas, principalmente as que acenavam com a ideia de mais dinheiro no bolso, consequentemente, geladeira cheia, barriga satisfeita, cora\u00e7\u00e3o agradecido e cabe\u00e7a disposta a votar nos entes jur\u00eddicos (partidos) e f\u00edsicos (candidatos), patrocinadores do fen\u00f4meno. Ou seja, votava na equa\u00e7\u00e3o BO+BA+CO+CA, bolso, barriga, cora\u00e7\u00e3o, cabe\u00e7a. Neste \u00faltimo pleito, botou a cabe\u00e7a para fora da toca para dizer: \u201ca equa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem sido bem composta, por isso, vou mudar o time\u201d. Escolheu figuras que satisfazem suas car\u00eancias, nomes novos para as prefeituras, e os antigos que receberam o passaporte da reelei\u00e7\u00e3o por fazerem eficiente gest\u00e3o. Cerca de 80% dos candidatos que buscavam se manter nos cargos conquistaram a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fato que a esquerda trouxe muitos benef\u00edcios ao pa\u00eds ao longo de d\u00e9cadas. Com um pacote de programas e a\u00e7\u00f5es fundamentais, fixou suas estacas em cantos e regi\u00f5es, de todos os quadrantes, principalmente em territ\u00f3rios mais carentes, como o Nordeste ou a periferia de S\u00e3o Paulo, onde se aglomeram os maiores contingentes despossu\u00eddos da Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas massas carentes sempre agradeceram aos benfeitores, lhes concedendo seu voto. O que n\u00e3o deve ser entendido como uma amarra\u00e7\u00e3o eterna na \u00e1rvore esquerdista. E mais: eventuais compromissos com a esquerda devem ser compreendidos em cada contexto da quadra pol\u00edtico-eleitoral. Podem ser rompidos e os votos serem dirigidos a pessoas diferentes. Por exemplo, a periferia de S\u00e3o Paulo votou, em massa, no prefeito Ricardo Nunes, de centro-direita, e n\u00e3o em Guilherme Boulos, o candidato da esquerda. No passado, elegeu Marta Suplicy e Paulo Maluf, J\u00e2nio Quadros e Luiza Erundina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, estamos diante de um eleitor-pendular, cuja imagem se assemelha a dos eleitores dos Estados-pendulares nos EUA (\u201cswing states\u201d) \u2013 Arizona, Ge\u00f3rgia, Michigan, Nevada, Carolina do Norte, Pensilv\u00e2nia e Wisconsin, que ser\u00e3o decisivos na corrida presidencial americana, com desfecho marcado para daqui a pouco, 5 de novembro. Votam, ora em um candidato democrata, ora em um candidato republicano. A conclus\u00e3o \u00e9 a de que, tanto l\u00e1 como aqui, o eleitor sobe e desce na gangorra, votando sob a sombra de suas circunst\u00e2ncias, detonadora da vontade das massas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9, ali\u00e1s, o mecanismo propulsor da democracia, a capacidade de o eleitor mudar instrumentos da orquestra &#8211; tambores, cordas e metais \u2013 e tamb\u00e9m os m\u00fasicos, caso queira. Lembramos que, em d\u00e9cadas passadas, a comunidade mundial presenciava as quedas sucessivas de governos europeus \u2013 entre os quais, Isl\u00e2ndia, Dinamarca, Gr\u00e3-Bretanha, Gr\u00e9cia, Holanda, Irlanda, Eslov\u00e1quia, Portugal, It\u00e1lia e Espanha. A queda da parede de domin\u00f3 abriu intensa pol\u00eamica sobre o fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o, sinalizando, ainda, a ascens\u00e3o da tecnocracia ao centro do poder pol\u00edtico e contribuindo para mobilizar massas, at\u00e9 ent\u00e3o amorfas, em Pa\u00edses credores e devedores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrigados nas margens do espectro ideol\u00f3gico, grupos de todos os matizes passaram a agir como ex\u00e9rcitos destemidos, tomando as ruas, exigindo a sa\u00edda de governantes a\u00e7oitados pela crise financeira e a entrada na cena pol\u00edtica de figurantes e de propostas inovadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A cr\u00edtica mais comum versava sobre a perda das identidades nacionais. As na\u00e7\u00f5es passaram a ter governos manietados, ou, para usar termo mais leve, controlados pelo mandat\u00e1rio-mor do planeta, o capital internacional. Ao longo dos anos, as massas eleitorais puderam ajustar seus sistemas de governo, dan\u00e7ando de um lado para outro nos espa\u00e7os do arco ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob essas idas e voltas, assistimos ao recuo da esquerda no mundo. E qual o fator determinante para explicar esse refluxo? As promessas n\u00e3o cumpridas pela democracia. Sempre recorro ao soci\u00f3logo italiano, Norberto Bobbio, para explicar os buracos no edif\u00edcio da democracia, feitos por um conjunto de promessas n\u00e3o cumpridas\u2013 entre elas, a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania, o combate \u00e0s oligarquias e a elimina\u00e7\u00e3o do poder invis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da nossa Am\u00e9rica do Sul, o rod\u00edzio que se processa no arco ideol\u00f3gico, entre os polos da direita e esquerda, leva em conta a satura\u00e7\u00e3o do eleitor com a velha ordem pol\u00edtica. Ali\u00e1s, tal cansa\u00e7o parece ocorrer aqui e alhures, dando conta da indigna\u00e7\u00e3o do votante para com as promessas descumpridas pelos agentes p\u00fablicos. Os nossos vizinhos, entre eles, a Argentina, o Uruguai, o Paraguai, a Col\u00f4mbia, o Peru \u2013 passeiam muito pela esfera ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Volto aos nossos tr\u00f3picos. E o que vejo? O PT. que lidera a frente da esquerda, com um discurso embolorado. E cercado por velhos caciques. O PSOL, de Boulos, sem credibilidade e recolhido em sua extremidade. N\u00e3o \u00e0 toa, a esquerda perdeu o rumo. E est\u00e1 sem prumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico O recado do eleitor foi claro: \u201cvamos enterrar a ideologia, se n\u00e3o no cemit\u00e9rio das entidades mortas, pelo menos na gaveta das circunst\u00e2ncias\u201d. Foi o que vimos. 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