{"id":196213,"date":"2024-12-17T04:40:57","date_gmt":"2024-12-17T08:40:57","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=196213"},"modified":"2024-12-17T05:45:57","modified_gmt":"2024-12-17T09:45:57","slug":"artigo-gaudencio-torquato-o-brasileiro-e-o-gosto-pelo-mais-ou-menos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-o-brasileiro-e-o-gosto-pelo-mais-ou-menos\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato | O brasileiro e o gosto pelo mais ou menos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-196214\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-brasileiro-e-o-gosto-pelo-mais-ou-menos-gaudencio1.jpg\" alt=\"\" width=\"1626\" height=\"789\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-brasileiro-e-o-gosto-pelo-mais-ou-menos-gaudencio1.jpg 1626w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-brasileiro-e-o-gosto-pelo-mais-ou-menos-gaudencio1-260x126.jpg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-brasileiro-e-o-gosto-pelo-mais-ou-menos-gaudencio1-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-brasileiro-e-o-gosto-pelo-mais-ou-menos-gaudencio1-768x373.jpg 768w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-brasileiro-e-o-gosto-pelo-mais-ou-menos-gaudencio1-1536x745.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1626px) 100vw, 1626px\" \/>O <strong>mspontocom<\/strong> publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<div class=\"m_6303125375813177849he-col m_6303125375813177849he-last\">\n<table class=\"m_6303125375813177849he-col\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 o homo brasiliensis? Esta pergunta merece uma reflex\u00e3o diferente. A melhor resposta pode ser dada pela leitura de alguns ensaios cl\u00e1ssicos de antropologia e sociologia, entre os quais os produzidos por Darcy Ribeiro, em\u00a0O Povo Brasileiro, J.O. de Meira Penna, em seu vigoroso \u00a0Em Ber\u00e7o Espl\u00eandido\u00a0ou Roberto DaMatta, em\u00a0Carnavais, Malandros e Her\u00f3is\u00a0e\u00a0O que faz o Brasil, Brasil, para citar apenas tr\u00eas contempor\u00e2neos analistas da alma brasileira. Cito, ainda, S\u00e9rgio Buarque de Holanda, com seu\u00a0Ra\u00edzes do Brasil, um cl\u00e1ssico da historiografia brasileira e uma obra basilar de estudos sociol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Um corte diagonal sobre o car\u00e1ter nacional pode ser a pista para se desvendar os tra\u00e7os psicol\u00f3gicos do brasileiro que escolhe seus mandat\u00e1rios.\u00a0 Antes, h\u00e1 de se fazer a ressalva de que milh\u00f5es de pessoas estar\u00e3o fora do tra\u00e7ado sociopsicol\u00f3gico aqui descrito, porque incorporam heran\u00e7as culturais de outros povos. A racionalidade dominante na cultura anglo-sax\u00e3, por exemplo, contrap\u00f5e-se \u00e0 emotividade e ao arcabou\u00e7o criativo-festivo que influencia comportamentos, a\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es do homem dos Tr\u00f3picos. Para o anglo-sax\u00e3o, n\u00e3o existe mais ou menos. \u00c9: sim, sim, n\u00e3o, n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A tipologia humana essencialmente brasileira se rege por um alfabeto n\u00edtido que come\u00e7a com a parte mais vis\u00edvel, que \u00e9 a cor da pele. Os morenos e os pardos, que carregam a mistura do sangue do branco colonizador, do negro e do ind\u00edgena, s\u00e3o a pr\u00f3pria express\u00e3o da \u00edndole do nosso povo. Que aprecia responder as quest\u00f5es que lhe s\u00e3o expostas com o jogo do \u201cdepende, do mais ou menos\u201d. \u00a0 \u201cQuantas horas trabalha por semana? Mais ou menos 40 horas. \u00c9 religioso? Sou cat\u00f3lico, mas n\u00e3o praticante. Ou, ainda:\u00a0sou ateu, gra\u00e7as a Deus\u201d.\u00a0N\u00e3o por acaso, \u00e9 assim empurrando que os governantes conseguem adiar coisas importantes, como a reforma tribut\u00e1ria (s\u00f3 agora em vias de aprova\u00e7\u00e3o), a reforma pol\u00edtica, a reforma do Estado, entre outros projetos priorit\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejam a quest\u00e3o do voto. Milh\u00f5es decidem escolher seus candidatos apenas nas \u00faltimas semanas de campanha. Tra\u00e7os de incerteza e dubiedade caracterizam o perfil do eleitor. H\u00e1 nisso alguma indica\u00e7\u00e3o de displic\u00eancia? Sem d\u00favida e este \u00e9 outro matiz do nosso perfil. As decis\u00f5es, que identificam uma forte cultura da protela\u00e7\u00e3o e do desleixo. Quem n\u00e3o tem na ponta da l\u00edngua exemplos de obras mal constru\u00eddas, trabalhos malfeitos, acabamentos defeituosos, sujeiras nos lugares p\u00fablicos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O brasileiro \u00e9 imediatista. Tem prazer pelas coisas que lhe trazem conforto ou benef\u00edcio imediato. Da\u00ed n\u00e3o se interessar pela macropol\u00edtica, a pol\u00edtica dos grandes projetos, das grandes obras que gerar\u00e3o efeitos ben\u00e9ficos no longo prazo. Mas \u00e9 exigente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas de seu cotidiano: a escola perto da casa, o transporte f\u00e1cil, a seguran\u00e7a na rua, a comida barata, o emprego perto de casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A incerteza, tra\u00e7o cultural do car\u00e1ter nacional, \u00e9 vis\u00edvel nas mudan\u00e7as de posi\u00e7\u00e3o das pessoas. Argumentos fortes acabam derrubando convic\u00e7\u00f5es n\u00e3o estruturadas. Percebe-se que o interlocutor se motiva pela simpatia e empatia que pol\u00edticos refletem.\u00a0\u201cAh, todos os pol\u00edticos s\u00e3o ladr\u00f5es\u201d, ouve-se aqui e acol\u00e1. Mas os tais ladr\u00f5es acabam conquistando eleitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus carimbou alguns povos com tintas muito acentuadas. Diz-se que aos gregos concedeu o amor \u00e0 ci\u00eancia; aos povos asi\u00e1ticos, o esp\u00edrito combativo; nos eg\u00edpcios e fen\u00edcios (sendo estes \u00faltimos os atuais libaneses), imprimiu a marca do amor ao dinheiro. Aos brasileiros, Deus deu a capacidade de improvisar mais que outras gentes. N\u00e3o \u00e9 de todo arriscada a infer\u00eancia de que a pessoa que defende de maneira r\u00edgida uma posi\u00e7\u00e3o acaba mudando de ponto de vista, se essa mudan\u00e7a fizer bem ao bolso. O brasileiro n\u00e3o garante aquilo que promete. Um infiel de ide\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico Quem \u00e9 o homo brasiliensis? Esta pergunta merece uma reflex\u00e3o diferente. 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