{"id":202329,"date":"2025-08-18T05:29:53","date_gmt":"2025-08-18T09:29:53","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=202329"},"modified":"2025-08-18T08:13:33","modified_gmt":"2025-08-18T12:13:33","slug":"artigo-gaudencio-torquato-a-infancia-roubada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-a-infancia-roubada\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato | A inf\u00e2ncia roubada"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-202330\" src=\"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/site-gaudencio-gaudencio-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1626\" height=\"789\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/site-gaudencio-gaudencio-1.jpg 1626w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/site-gaudencio-gaudencio-1-260x126.jpg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/site-gaudencio-gaudencio-1-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/site-gaudencio-gaudencio-1-768x373.jpg 768w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/site-gaudencio-gaudencio-1-1536x745.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1626px) 100vw, 1626px\" \/>O <strong>mspontocom<\/strong> publica semanalmente artigo de Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<div class=\"m_-4227393980644497643he-col m_-4227393980644497643he-last\">\n<table class=\"m_-4227393980644497643he-col\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\">\n<div class=\"m_-4227393980644497643he-col m_-4227393980644497643he-last\">\n<table class=\"m_-4227393980644497643he-col\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>No Brasil, a inf\u00e2ncia tem sido abreviada por duas for\u00e7as opostas, mas complementares: a pobreza estrutural e a cultura do consumo midi\u00e1tico. De um lado, milh\u00f5es de crian\u00e7as s\u00e3o obrigadas a assumir responsabilidades adultas cedo demais, cuidando de irm\u00e3os, ajudando no sustento da casa ou, simplesmente, sendo empurradas para o trabalho infantil. De outro, crian\u00e7as das classes m\u00e9dias e altas s\u00e3o induzidas a vestir-se, comportar-se e consumir como se fossem adultas em miniatura, pressionadas por agendas lotadas, padr\u00f5es de beleza e a l\u00f3gica da performance.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, o tema da adultiza\u00e7\u00e3o infantil, termo utilizado para se referir a crian\u00e7as expostas a comportamentos, linguagens e contextos n\u00e3o correspondentes \u00e0 idade, ganhou grande repercuss\u00e3o, depois que o youtuber e humorista Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, lan\u00e7ou um v\u00eddeo sobre o assunto na internet. A pe\u00e7a tamb\u00e9m denuncia poss\u00edveis casos de pedofilia nas redes sociais. Mostra perfis que usam crian\u00e7as e adolescentes com pouca roupa, dan\u00e7ando m\u00fasicas sensuais ou falando de sexo em programas divulgados nas plataformas digitais com objetivo de monetizar esse conte\u00fado, gerando dinheiro para os donos dos canais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas (Senado, C\u00e2mara Federal, Assembleias Legislativas e C\u00e2mara Municipais) e entidades da sociedade civil abriram espa\u00e7o para o debate. O presidente da C\u00e2mara, deputado Hugo Motta, prometeu de dar prioridade \u00e0 vota\u00e7\u00e3o de projeto de lei regulamentando a mat\u00e9ria. Uma\u00a0comiss\u00e3o geral, liderada por Hugo, contando com a participa\u00e7\u00e3o de especialistas e de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, deu in\u00edcio ao debate.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sociedade, por meio de suas entidades representativas, entra no foro de debates. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) solicitou \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados, urg\u00eancia na aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei (PL) n\u00ba 2.628\/2022, que estabelece regras e mecanismos para prevenir, identificar e coibir o abuso e a explora\u00e7\u00e3o sexual infanto-juvenil em plataformas digitais. O texto j\u00e1 passou pelo Senado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a adultiza\u00e7\u00e3o infantil n\u00e3o \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o. Segundo o IBGE, mais de 1 milh\u00e3o de meninos e meninas ainda trabalham no pa\u00eds, apesar de a pr\u00e1tica ser proibida por lei. Quem anda pelas ruas das capitais ou pelas feiras do interior n\u00e3o precisa de estat\u00edsticas para constatar: crian\u00e7as vendem balas nos sem\u00e1foros, carregam sacolas em mercados, catam recicl\u00e1veis. A inf\u00e2ncia lhes \u00e9 negada em nome da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a mis\u00e9ria que rouba o tempo de ser crian\u00e7a. A cultura midi\u00e1tica brasileira, marcada pela exposi\u00e7\u00e3o precoce de meninos e meninas em programas de TV, reality shows e redes sociais, incentiva a sexualiza\u00e7\u00e3o e a pressa em &#8220;crescer&#8221;. Pequenas j\u00e1 desfilam de salto alto, fazem coreografias de m\u00fasicas adultas e reproduzem padr\u00f5es de consumo de influenciadores digitais. Nesse cen\u00e1rio, o brincar \u2014 elemento essencial do desenvolvimento infantil \u2014 perde espa\u00e7o para a exibi\u00e7\u00e3o e a competitividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 cruel. Enquanto uns carregam sacos de cimento, outros carregam a press\u00e3o da fama e da est\u00e9tica. Em ambos os casos, o resultado \u00e9 o mesmo: a nega\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia. Crian\u00e7as deixam de experimentar a leveza do jogo, da imagina\u00e7\u00e3o, da descoberta sem pressa, e assumem pap\u00e9is que n\u00e3o lhes cabem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O problema \u00e9 cultural, social e pol\u00edtico. N\u00e3o basta responsabilizar apenas fam\u00edlias ou escolas. \u00c9 preciso uma a\u00e7\u00e3o coordenada: fiscaliza\u00e7\u00e3o rigorosa contra o trabalho infantil, regula\u00e7\u00e3o mais firme da publicidade dirigida \u00e0s crian\u00e7as, educa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica para o uso da m\u00eddia e, sobretudo, valoriza\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia como um bem coletivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias? Entre elas, o trabalho infantil persistente que, apesar de proibido ainda envolve mais de 1 milh\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes segundo o IBGE; a sexualiza\u00e7\u00e3o precoce (pesquisas mostram aumento da inicia\u00e7\u00e3o sexual em idades cada vez mais baixas, muitas vezes associada \u00e0 falta de orienta\u00e7\u00e3o adequada); a perda do brincar, bastando ver que crian\u00e7as de classes m\u00e9dias e altas, embora n\u00e3o trabalhem, vivem sob agendas lotadas (escola, idiomas, esportes, cursos), o que as aproxima mais de adultos do que da ludicidade infantil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sociedade brasileira precisa se perguntar: que adultos formamos quando roubamos das crian\u00e7as o direito de ser crian\u00e7as? Um pa\u00eds que n\u00e3o protege sua inf\u00e2ncia planta adultos ansiosos, inseguros e despreparados para a vida em comunidade. Recuperar o tempo da inf\u00e2ncia \u00e9, antes de tudo, um investimento no futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A adultiza\u00e7\u00e3o infantil no Brasil tem um p\u00e9 na pobreza estrutural e outro no consumismo midi\u00e1tico. Enquanto milh\u00f5es de crian\u00e7as trabalham cedo para sobreviver, outras s\u00e3o empurradas ao universo adulto por est\u00edmulos de mercado, moda e m\u00eddia. Em ambos os casos, a inf\u00e2ncia \u2014 que deveria ser tempo de descoberta e forma\u00e7\u00e3o \u2014 acaba reduzida.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo de Gaud\u00eancio Torquato. 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