{"id":204770,"date":"2025-11-11T08:06:27","date_gmt":"2025-11-11T12:06:27","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=204770"},"modified":"2025-11-11T08:06:27","modified_gmt":"2025-11-11T12:06:27","slug":"torquato-geracao-z-entre-o-desencanto-e-a-busca-por-sentido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/torquato-geracao-z-entre-o-desencanto-e-a-busca-por-sentido\/","title":{"rendered":"Torquato: GERA\u00c7\u00c3O Z: ENTRE O DESENCANTO E A BUSCA POR SENTIDO"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-204779\" src=\"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/site-torquro-geracao-z-entre-o-desencanto-e-a-busca-por-sentido-gaudencio.jpg\" alt=\"\" width=\"1626\" height=\"789\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/site-torquro-geracao-z-entre-o-desencanto-e-a-busca-por-sentido-gaudencio.jpg 1626w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/site-torquro-geracao-z-entre-o-desencanto-e-a-busca-por-sentido-gaudencio-260x126.jpg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/site-torquro-geracao-z-entre-o-desencanto-e-a-busca-por-sentido-gaudencio-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/site-torquro-geracao-z-entre-o-desencanto-e-a-busca-por-sentido-gaudencio-768x373.jpg 768w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/site-torquro-geracao-z-entre-o-desencanto-e-a-busca-por-sentido-gaudencio-1536x745.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1626px) 100vw, 1626px\" \/>O <strong>MSPONTOCOM<\/strong> publica semanalmente artigo de Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong>Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desemprego, afastamento da pol\u00edtica, frustra\u00e7\u00e3o, desilus\u00e3o e descr\u00e9dito nas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o tra\u00e7os que atravessam a juventude em todos os continentes. A gera\u00e7\u00e3o Z, nascida entre 1997 e o in\u00edcio de 2010, est\u00e1 impulsionando mudan\u00e7as disruptivas em diversas \u00e1reas. \u00c9 a primeira a viver inteiramente na era digital \u2014 hiper conectada, globalizada e, paradoxalmente, profundamente insegura quanto ao futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto seus pais acreditavam na ascens\u00e3o social e na estabilidade profissional, os jovens de hoje enfrentam um horizonte de incertezas. Estudam mais, ganham menos e vivem num mercado corro\u00eddo pela automa\u00e7\u00e3o e pela informalidade. \u00a0S\u00e3o avessos a burocracias e hierarquias verticais r\u00edgidas. Buscam ambientes de trabalho mais abertos e transparentes, onde possam expressar suas opini\u00f5es e serem valorizados como indiv\u00edduos completos. \u00a0Demonstram coragem e ousadia em suas escolhas, n\u00e3o se limitando a modelos preestabelecidos. S\u00e3o menos consumistas do que as gera\u00e7\u00f5es anteriores, preferindo marcas que estejam alinhadas com seus valores pessoais. S\u00e3o mais abertos e vulner\u00e1veis sobre quest\u00f5es de sa\u00fade mental, esperando que empregadores e a sociedade em geral abordem esses desafios de forma proativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A economia global, que prometia integra\u00e7\u00e3o, trouxe precariedade. Da\u00ed nasce o desencanto estrutural: a sensa\u00e7\u00e3o de caminhar sem ch\u00e3o. O fen\u00f4meno \u00e9 planet\u00e1rio. No Qu\u00eania, multid\u00f5es de jovens tomam as ruas de Nair\u00f3bi contra o aumento de impostos e a corrup\u00e7\u00e3o. No Marrocos, estudantes marcham denunciando o contraste entre os investimentos bilion\u00e1rios em est\u00e1dios para a Copa do Mundo e o abandono da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o. Em Madagascar, protestos contra apag\u00f5es e desemprego terminam em confrontos violentos. No Nepal, jovens reagem \u00e0 censura digital (que levou a protestos que ganharam impulso com den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o) e \u00e0 falta de oportunidades; no Togo, enfrentam reformas constitucionais que perpetuam elites no poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Europa, a inquieta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cresce. Na S\u00e9rvia, estudantes transformam uma trag\u00e9dia local \u2014 o desabamento de uma esta\u00e7\u00e3o de trem \u2014 em catalisador de um amplo movimento c\u00edvico contra o autoritarismo e a corrup\u00e7\u00e3o. Na Fran\u00e7a, o movimento juvenil\u00a0&#8220;Bloquons tout&#8221;\u00a0(Bloqueemos tudo) expressa a exaust\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o diante da austeridade econ\u00f4mica e da perda de horizontes. A juventude europeia, mais instru\u00edda e mais conectada, j\u00e1 n\u00e3o acredita que a pol\u00edtica seja o caminho para mudar o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Am\u00e9rica Latina, a onda de descontentamento segue o mesmo ritmo. No Peru, jovens desafiam o estado de emerg\u00eancia para exigir reformas pol\u00edticas e previdenci\u00e1rias, se mobilizam e levam \u00e0 destitui\u00e7\u00e3o da presidente Dina Boluarte, simbolizando o colapso da confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es. No Chile, as manifesta\u00e7\u00f5es estudantis dos \u00faltimos anos seguem vivas em movimentos que pedem um novo pacto social. Mesmo nos Estados Unidos, onde o voto jovem foi decisivo em elei\u00e7\u00f5es recentes, cresce a frustra\u00e7\u00e3o com o bipartidarismo e a lentid\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Sofia Ong\u2019ele, diretora de estrat\u00e9gia da organiza\u00e7\u00e3o americana\u00a0Gen Z for change,\u00a0em depoimento ao jornalista Gabriel Barnab\u00e9 (\u201cGera\u00e7\u00e3o Z usa redes sociais para ir \u00e0s ruas e derruba governos pelo mundo\u201d\u00a0(FSP\/3\/11\/2025), constata: \u201cnunca houve tantos movimentos sem lideran\u00e7a acontecendo ao mesmo tempo. Isso \u00e9 novo e estamos aprendendo em tempo real o que vem depois\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que a pol\u00edtica, para essa gera\u00e7\u00e3o, perdeu o poder de sedu\u00e7\u00e3o. Cresceram vendo esc\u00e2ndalos, promessas quebradas e l\u00edderes que falam uma l\u00edngua morta. O ceticismo virou instinto de sobreviv\u00eancia. A descren\u00e7a, forma de autodefesa. Ainda assim, n\u00e3o s\u00e3o ap\u00e1ticos: protestam, mas de outro modo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A rebeldia se manifesta nas redes. O protesto \u00e9 feito de hashtags, boicotes, ironias e v\u00eddeos de poucos segundos. \u00c9 uma pol\u00edtica de causas, n\u00e3o de partidos; de valores, n\u00e3o de ideologias. Lutam por meio ambiente, diversidade, equidade e \u00e9tica digital. A emo\u00e7\u00e3o substitui o discurso. Significa que, na era das redes sociais e da cultura digital, a\u00a0aprova\u00e7\u00e3o e a rejei\u00e7\u00e3o sociais assumiram novas formas de express\u00e3o e impacto, desvinculando-se, em parte, de suas origens pr\u00e1ticas para se tornarem instrumentos de valida\u00e7\u00e3o e julgamento moral em massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O paradoxo \u00e9 evidente: essa gera\u00e7\u00e3o, moldada pela tecnologia, come\u00e7a a rebelar-se contra ela. Desativa notifica\u00e7\u00f5es, denuncia manipula\u00e7\u00f5es, abandona redes. \u00c9 um protesto contra o pr\u00f3prio sistema que os formou \u2014 um grito por autonomia e sil\u00eancio num mundo saturado de ru\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O desencanto pol\u00edtico tem, contudo, um lado positivo. Ao rejeitar as velhas formas de poder, a gera\u00e7\u00e3o Z abre caminho para novas experi\u00eancias de cidadania. Surgem coletivos locais, startups sociais e comunidades digitais que testam modos de conviv\u00eancia mais \u00e9ticos e colaborativos. O engajamento migra do palanque para o cotidiano, da ideologia para a pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio das democracias sugere reconectar-se a esses jovens. Governos e institui\u00e7\u00f5es precisam falar a l\u00edngua da transpar\u00eancia, da verdade e da coer\u00eancia. Caso contr\u00e1rio, continuar\u00e3o perdendo o que mais importa: a confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma gera\u00e7\u00e3o que quer justi\u00e7a, sentido e coer\u00eancia. Por tr\u00e1s das telas, pulsa a energia de quem n\u00e3o quer apenas consumir o mundo, mas reinvent\u00e1-lo. O futuro pol\u00edtico depender\u00e1 de transformar esse descontentamento em for\u00e7a criadora \u2014 e de ouvir, com humildade, o que o sil\u00eancio dos jovens anda dizendo nas ruas de Katmandu, Casablanca, Lima, Santiago e at\u00e9 em Nova Iorque, onde a futura primeira-dama, Rama Duwaji, de 28 anos, esposa do rec\u00e9m eleito prefeito, Zohran Mamdani, \u00e9 pertencente \u00e0 gera\u00e7\u00e3o Z.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A gera\u00e7\u00e3o \u00e9 o\u00a0paradigma de um novo tempo, por estar redefinindo as normas sociais, os valores e o mercado de trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O MSPONTOCOM publica semanalmente artigo de Gaud\u00eancio Torquato. 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