{"id":205808,"date":"2025-12-24T10:35:33","date_gmt":"2025-12-24T14:35:33","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=205808"},"modified":"2025-12-24T10:35:33","modified_gmt":"2025-12-24T14:35:33","slug":"enrico-pierro-natal-esse-estranho-alivio-temporario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/enrico-pierro-natal-esse-estranho-alivio-temporario\/","title":{"rendered":"Enrico Pierro: Natal, esse estranho al\u00edvio tempor\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-205809\" src=\"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/site-enrico-pierro-natal-esse-estranho-alivio-temporario-enrico-e1766586826680.jpg\" alt=\"\" width=\"995\" height=\"860\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/site-enrico-pierro-natal-esse-estranho-alivio-temporario-enrico-e1766586826680.jpg 995w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/site-enrico-pierro-natal-esse-estranho-alivio-temporario-enrico-e1766586826680-260x225.jpg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/site-enrico-pierro-natal-esse-estranho-alivio-temporario-enrico-e1766586826680-768x664.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 995px) 100vw, 995px\" \/>O mspontocom publica excepcionalmente nesta v\u00e9spera de Natal a cr\u00f4nica do escritor Enrico\u00a0 Pierro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">Cr\u00f4nica de natal<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">\u00a0Al\u00e9m das uvas passas e dos boletos, o Natal \u00e9 o lembrete de que sobreviver ao ano j\u00e1 \u00e9 um milagre.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">Todo ano chega dezembro e eu fico pensando como o Natal \u00e9 uma data curiosa. Dizem que \u00e9 tempo de paz, uni\u00e3o, amor. E talvez seja. Mas, sinceramente, tamb\u00e9m \u00e9 tempo de tr\u00e2nsito infernal, gente estressada no mercado brigando por uva passa como se fosse ouro, panetone que custa o olho da cara, e aquela cobran\u00e7a silenciosa que paira no ar: \u201cvoc\u00ea est\u00e1 feliz o suficiente para o Natal?\u201d como se fosse obrigat\u00f3rio apresentar um laudo de alegria na ceia.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">A verdade \u00e9 que eu nunca chego no Natal do jeito que imaginei em janeiro. Ningu\u00e9m chega. A gente chega meio amassado, meio cansado, meio maltratado pela vida, tentando lembrar onde enfiou a alma no meio de tanta sobreviv\u00eancia. Mas o Natal tem essa habilidade esquisita de fazer tudo parecer um pouco menos pesado. Talvez seja a comida. Talvez sejam as luzes. Talvez seja o oxig\u00eanio temperado com uma esperan\u00e7a provis\u00f3ria, dessas que vencem no dia 26.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">O Natal sempre me pega desprevenido. \u00c9 como se, no meio do caos, algu\u00e9m apertasse um bot\u00e3o invis\u00edvel e voc\u00ea, do nada, percebesse que est\u00e1 respirando melhor. Que est\u00e1 rindo de alguma bobagem. Que est\u00e1 pensando em quem voc\u00ea ama. Que est\u00e1 ali, presente, mesmo que presen\u00e7a nunca tenha sido exatamente seu talento.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">Eu gosto do Natal porque ele n\u00e3o exige que a gente esteja inteiro. Ele s\u00f3 pede que a gente apare\u00e7a. Com o que sobrou. Com o que a vida n\u00e3o conseguiu arrancar. Com as perdas, com os ganhos, com as saudades que a gente finge que superou, com os afetos que resistiram ao ano que tentou acabar com eles. Com a f\u00e9, a gigante, a min\u00fascula ou aquela que a gente usa s\u00f3 para n\u00e3o enlouquecer de vez.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">No fundo, o Natal \u00e9 isso: um lembrete gentil (e um pouco ir\u00f4nico) de que ainda existe ternura poss\u00edvel no mundo. Uma chance de respirar antes da pr\u00f3xima batalha. Uma pausa honesta, sem filtros, sem maquiagem emocional, sem essa expectativa absurda de que tudo esteja funcionando. \u00c9 s\u00f3 a gente, quem importa de verdade, uma mesa que pode ser simples ou exagerada, e uma noite que insiste em sussurrar: calma. Voc\u00ea chegou at\u00e9 aqui. E, considerando o ano que foi, isso \u00e9 quase um milagre. E tem outra coisa que sempre me incomoda: todo mundo virou especialista em Natal. Cada um com sua tese, sua tradi\u00e7\u00e3o, sua cr\u00edtica pronta. Qualquer opini\u00e3o vira campo minado; se voc\u00ea gosta demais, \u00e9 brega; se n\u00e3o gosta, \u00e9 ingrato; se comemora, est\u00e1 errado; se n\u00e3o comemora, mais errado ainda. \u00c9 curioso como a gente consegue transformar at\u00e9 um feriado em um tribunal.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">E, no meio desse ru\u00eddo, a gente esquece o b\u00e1sico: essa data existe por causa de um anivers\u00e1rio. Ou, pelo menos, porque marcaram esse dia para isso, j\u00e1 que historicamente n\u00e3o bate muito com nada. E, mesmo assim, independente do calend\u00e1rio bagun\u00e7ado, do debate hist\u00f3rico e da loucura comercial que engole tudo, a ess\u00eancia continua ali, pequena, quase t\u00edmida. A celebra\u00e7\u00e3o de um nascimento. De um s\u00edmbolo de esperan\u00e7a. De algu\u00e9m que, acreditando voc\u00ea ou n\u00e3o, representa a ideia de que a luz existe, mesmo quando a vida insiste em parecer escura. E \u00e9 engra\u00e7ado como a gente consegue transformar at\u00e9 isso em disputa, quando talvez o Natal fosse justamente o lembrete contr\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">Ent\u00e3o, se eu puder te desejar algo neste Natal, \u00e9 isso: que voc\u00ea encontre um canto de paz no meio do barulho. Que voc\u00ea receba um abra\u00e7o que realmente fa\u00e7a sentido. Que voc\u00ea coma algo gostoso sem lembrar do boleto de janeiro. Que voc\u00ea entenda, nem que seja por alguns minutos, que existir j\u00e1 \u00e9 um esfor\u00e7o descomunal, e voc\u00ea fez isso o ano inteiro.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">Feliz Natal.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">Do jeito que der. Do jeito que voc\u00ea conseguir. Do jeito que for real para voc\u00ea.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">@enricopierroofc<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica excepcionalmente nesta v\u00e9spera de Natal a cr\u00f4nica do escritor Enrico\u00a0 Pierro. &nbsp; Cr\u00f4nica de natal \u00a0Al\u00e9m das uvas passas e dos boletos, o Natal \u00e9 o lembrete de que sobreviver ao ano j\u00e1 \u00e9 um milagre. Todo ano chega dezembro e eu fico pensando como o Natal \u00e9 uma data curiosa. 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