{"id":206763,"date":"2026-02-03T04:00:10","date_gmt":"2026-02-03T08:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=206763"},"modified":"2026-02-03T06:22:52","modified_gmt":"2026-02-03T10:22:52","slug":"artigo-gaudencio-torquato-eleitor-nao-e-bobo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-eleitor-nao-e-bobo\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  Eleitor n\u00e3o \u00e9 bobo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-206764\" src=\"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-eleitor-nao-e-bobo-gaudencio-1024x497.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"497\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-eleitor-nao-e-bobo-gaudencio-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-eleitor-nao-e-bobo-gaudencio-260x126.jpg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-eleitor-nao-e-bobo-gaudencio-768x373.jpg 768w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-eleitor-nao-e-bobo-gaudencio-1536x745.jpg 1536w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-eleitor-nao-e-bobo-gaudencio.jpg 1626w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>O <span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>mspontocom<\/strong><\/span> publica semanalmente artigo de Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong>Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muito tempo, repetiu-se como mantra que o eleitor brasileiro tinha mem\u00f3ria curta. A tese serviu de \u00e1libi para governantes, partidos e grupos de interesse que apostavam no esquecimento como m\u00e9todo pol\u00edtico. O problema \u00e9 que o tempo passou, o pa\u00eds mudou \u2014 e o eleitor tamb\u00e9m. Hoje, mais informado, mais desconfiado e mais atento \u00e0s conex\u00f5es de poder, o cidad\u00e3o percebe quando a ret\u00f3rica n\u00e3o corresponde aos fatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisas recentes de institutos como Quaest\/Genial e AtlasIntel\/Bloomberg apontam que o eleitor acha que a corrup\u00e7\u00e3o voltou ao topo da lista dos maiores problemas nacionais, ao lado da viol\u00eancia urbana e das defici\u00eancias no sistema p\u00fablico de sa\u00fade. N\u00e3o se trata de nostalgia do passado nem de paranoia coletiva. Trata-se de percep\u00e7\u00e3o constru\u00edda a partir de uma sequ\u00eancia de fatos, investiga\u00e7\u00f5es e esc\u00e2ndalos que voltaram a ocupar o notici\u00e1rio policial e pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O brasileiro comum acompanha, ainda que de forma fragmentada, as not\u00edcias sobre fraudes no INSS, esquemas de venda de t\u00edtulos suspeitos no sistema financeiro, investiga\u00e7\u00f5es envolvendo fundos de investimento e apura\u00e7\u00f5es sobre lavagem de dinheiro do crime organizado. Mesmo quando os processos ainda est\u00e3o sob investiga\u00e7\u00e3o e longe de senten\u00e7as definitivas, a sensa\u00e7\u00e3o que se instala \u00e9 clara: algo est\u00e1 fora do lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o nasce apenas do fato em si, mas do entorno institucional que o cerca. O eleitor observa que muitos desses epis\u00f3dios atravessam inst\u00e2ncias do Congresso, do Executivo e do Judici\u00e1rio sem produzir respostas r\u00e1pidas, claras ou exemplares. O resultado \u00e9 um sentimento difuso de impunidade \u2014 ou, no m\u00ednimo, de condescend\u00eancia sist\u00eamica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso das fraudes previdenci\u00e1rias, por exemplo, afeta diretamente o bolso e a dignidade de milh\u00f5es de brasileiros. J\u00e1 as suspeitas envolvendo o sistema financeiro \u2014 espa\u00e7o que deveria operar sob rigor t\u00e9cnico e fiscaliza\u00e7\u00e3o permanente \u2014 refor\u00e7am a impress\u00e3o de que h\u00e1 \u00e1reas blindadas por rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, lobistas eficientes e zonas cinzentas de regula\u00e7\u00e3o. Quando surgem ind\u00edcios de que organiza\u00e7\u00f5es criminosas tentam infiltrar recursos il\u00edcitos em estruturas formais da economia, o alerta social se amplia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 preciso que o eleitor domine os detalhes jur\u00eddicos ou financeiros dessas opera\u00e7\u00f5es. Basta-lhe perceber o padr\u00e3o: investiga\u00e7\u00f5es que se arrastam, personagens poderosos que raramente aparecem algemados, discursos oficiais que relativizam fatos graves e uma sucess\u00e3o de explica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas que pouco dialogam com a vida real. O cidad\u00e3o n\u00e3o precisa de provas nos autos; ele julga pelo contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse ponto que a pol\u00edtica erra ao subestimar a intelig\u00eancia coletiva. O eleitor n\u00e3o exige perfei\u00e7\u00e3o moral, mas espera coer\u00eancia, transpar\u00eancia e a\u00e7\u00e3o. Quando percebe que esc\u00e2ndalos s\u00e3o tratados como &#8220;ru\u00eddo&#8221;, &#8220;narrativa&#8221; ou &#8220;exagero da imprensa&#8221;, reage com ceticismo. E ceticismo, em democracia, \u00e9 combust\u00edvel para o voto de protesto, a absten\u00e7\u00e3o ou a radicaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A volta da corrup\u00e7\u00e3o ao centro das preocupa\u00e7\u00f5es nacionais n\u00e3o significa apenas rejei\u00e7\u00e3o a governos ou partidos espec\u00edficos. \u00c9 um sintoma de fadiga institucional. O eleitor enxerga um Estado que promete muito, entrega pouco e se protege demais. Enxerga servi\u00e7os p\u00fablicos fr\u00e1geis, ruas inseguras e, ao mesmo tempo, redes de poder funcionando com efici\u00eancia not\u00e1vel para se autopreservar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em ano eleitoral, ignorar esse sentimento \u00e9 erro estrat\u00e9gico. Campanhas que apostarem apenas no velho marketing, com slogans vazios ou ataques laterais tendem a trope\u00e7ar no \u00f3bvio: o eleitor est\u00e1 vendo. N\u00e3o compra gato por lebre. Compara discursos e fatos. Est\u00e1 conectando pontos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A democracia n\u00e3o vive apenas de votos, mas de confian\u00e7a. E confian\u00e7a, uma vez corro\u00edda, n\u00e3o se recomp\u00f5e com propaganda. O eleitor n\u00e3o \u00e9 bobo. Ele percebe quando a pol\u00edtica tenta empurrar para debaixo do tapete aquilo que salta aos olhos de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">E, quando percebe, responde nas urnas \u2014 ou fora delas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo de Gaud\u00eancio Torquato. 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