{"id":206934,"date":"2026-02-09T08:19:08","date_gmt":"2026-02-09T12:19:08","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=206934"},"modified":"2026-02-09T08:19:08","modified_gmt":"2026-02-09T12:19:08","slug":"artigo-gaudencio-torquato-o-crescimento-do-populismo-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-o-crescimento-do-populismo-no-mundo\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato | O crescimento do populismo no mundo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-206935\" src=\"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-gaudencio-gaudencio-1024x497.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"497\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-gaudencio-gaudencio-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-gaudencio-gaudencio-260x126.jpg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-gaudencio-gaudencio-768x373.jpg 768w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-gaudencio-gaudencio-1536x745.jpg 1536w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-gaudencio-gaudencio.jpg 1626w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>O <span style=\"font-size: 14pt;\"><em><strong>mspontocom<\/strong><\/em><\/span> publica semanalmente artigo de Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<div class=\"m_4740301206884187693he-col m_4740301206884187693he-last\">\n<table class=\"m_4740301206884187693he-col\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O populismo, outrora um\u00a0fen\u00f3meno\u00a0espor\u00e1dico e localizado, tornou-se, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, uma for\u00e7a global. De Donald Trump nos Estados Unidos a Lula e Jair Bolsonaro no Brasil, de Giorgia Meloni em It\u00e1lia a Viktor Orb\u00e1n na Hungria, passando por movimentos populistas em Fran\u00e7a, Pol\u00f3nia, Argentina e at\u00e9 Portugal, assistimos \u00e0 emerg\u00eancia ou consolida\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as pol\u00edticas que se reclamam da &#8220;vontade do povo&#8221; contra as elites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o populismo \u00e9 um sintoma ou uma doen\u00e7a da democracia? Estar\u00e1 em crescimento sustentado ou apenas a surfar ondas tempor\u00e1rias de descontentamento? A resposta exige uma leitura cr\u00edtica do nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o populismo assuma formas diferentes consoante os contextos pol\u00edticos e culturais, h\u00e1 caracter\u00edsticas comuns que o definem: a ret\u00f3rica da divis\u00e3o entre &#8220;o povo puro&#8221; e &#8220;a elite corrupta&#8221;, o ataque \u00e0s institui\u00e7\u00f5es tradicionais (como parlamentos, justi\u00e7a e imprensa), a promessa de solu\u00e7\u00f5es simples para problemas complexos, e uma lideran\u00e7a forte, carism\u00e1tica e autorit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O crescimento do populismo tem sido evidente n\u00e3o s\u00f3 em pa\u00edses em desenvolvimento, mas tamb\u00e9m em democracias consolidadas, onde, paradoxalmente, deveria haver mais resist\u00eancia a este tipo de discurso. Segundo v\u00e1rios estudos internacionais, o n\u00famero de eleitores que se identificam com partidos populistas triplicou desde os anos 90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os fatores que alimentam o populismo, est\u00e3o as crises econ\u00f4micas e a desigualdade. A crise financeira de 2008, a austeridade que se seguiu, a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e o aumento da desigualdade foram o terreno f\u00e9rtil para o crescimento populista. Milh\u00f5es de cidad\u00e3os sentiram que o sistema\u00a0econ\u00f3mico\u00a0deixou de os representar, tornando-se terreno f\u00e9rtil para promessas de &#8220;ruptura&#8221; e combate ao &#8220;sistema&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais recentemente, a pandemia e a infla\u00e7\u00e3o aceleraram esta sensa\u00e7\u00e3o de perda de seguran\u00e7a\u00a0econ\u00f3mica, tornando os discursos simplistas ainda mais apelativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos tempos, tem crescido a desconfian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. A\u00a0percep\u00e7\u00e3o \u00a0de que os partidos tradicionais s\u00e3o todos iguais, de que os pol\u00edticos servem interesses privados, ou de que a justi\u00e7a \u00e9 lenta e parcial, mina a legitimidade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste cen\u00e1rio, os populistas apresentam-se como\u00a0&#8220;antissistema&#8221;, mesmo quando integram ou aspiram ao poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, ainda, a considerar que muitos movimentos populistas de direita exploram o receio de perda de identidade cultural, associando a imigra\u00e7\u00e3o e a multiculturalidade a uma suposta amea\u00e7a aos valores nacionais. A globaliza\u00e7\u00e3o, ao promover a circula\u00e7\u00e3o de pessoas, bens e ideias, \u00e9 apresentada como uma for\u00e7a que dilui as fronteiras e enfraquece a soberania nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O populismo promete, assim, &#8220;recuperar o\u00a0controle&#8221;: das fronteiras, da economia, da cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra frente de impulso s\u00e3o as redes sociais, que revolucionaram a forma como os cidad\u00e3os se informam e participam politicamente. Permitiram acesso direto a l\u00edderes, mas tamb\u00e9m facilitaram a desinforma\u00e7\u00e3o, o discurso de \u00f3dio e a polariza\u00e7\u00e3o. Os populistas, geralmente bons comunicadores, sabem explorar estas plataformas para amplificar as suas mensagens, contornar\u00a0as m\u00eddias\u00a0tradicionais e atacar os advers\u00e1rios sem filtros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem cresce mais \u00e9 o populismo de Direita, que ganha mais visibilidade\u00a0medi\u00e1tica, especialmente na Europa e Am\u00e9rica, J\u00e1 o populismo de esquerda \u2013 que denuncia as elites\u00a0econ\u00f4micas, o neoliberalismo, e promete justi\u00e7a social e redistribui\u00e7\u00e3o \u2013 tem se arrefecido nos \u00faltimos tempos. Ambos t\u00eam em comum o apelo direto ao povo, a desconfian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es e a rejei\u00e7\u00e3o dos partidos tradicionais. No entanto, diferem profundamente nas suas propostas pol\u00edticas, com a direita focada na identidade e ordem, e a esquerda na igualdade e inclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Que consequ\u00eancias o crescimento do populismo tem para a democracia? O efeito sobre o sistema democr\u00e1tico \u00e9 amb\u00edguo. Por um lado, obriga o sistema a ouvir os marginalizados e a corrigir excessos de tecnocracia ou afastamento pol\u00edtico. Por outro, fragiliza a democracia liberal ao atacar a separa\u00e7\u00e3o de poderes, a liberdade de imprensa e os direitos das minorias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em regimes mais fr\u00e1geis, os populistas no poder podem caminhar para o autoritarismo, silenciando a oposi\u00e7\u00e3o, controlando os tribunais e alterando regras eleitorais. A democracia transforma-se ent\u00e3o numa casca institucional com pouco conte\u00fado pluralista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos o caso de Portugal, onde o populismo teve express\u00e3o marginal durante d\u00e9cadas, mas a partir da \u00faltima d\u00e9cada viu-se o crescimento de partidos como o\u00a0Chega, que canalizam o descontentamento social com uma ret\u00f3rica populista, securit\u00e1ria e nacionalista. Ainda que longe de dominar o sistema, os seus resultados nas elei\u00e7\u00f5es e impacto no discurso p\u00fablico s\u00e3o significativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como noutros pa\u00edses, o populismo portugu\u00eas nasce do descontentamento acumulado com as pol\u00edticas tradicionais, do medo face \u00e0 mudan\u00e7a e da sensa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a permanente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, o populismo est\u00e1 a crescer no mundo, n\u00e3o como uma aberra\u00e7\u00e3o, mas como uma resposta \u2013 leg\u00edtima ou n\u00e3o \u2013 a falhas reais das democracias contempor\u00e2neas. Desigualdade, inseguran\u00e7a, corrup\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o s\u00e3o combust\u00edvel constante deste tipo de discurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfrentar o populismo exige mais do que conden\u00e1-lo moralmente. Requer reformar as institui\u00e7\u00f5es, reduzir as desigualdades, promover literacia pol\u00edtica e devolver dignidade \u00e0 a\u00e7\u00e3o p\u00fablica. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel responder \u00e0s ang\u00fastias do presente sem sacrificar os princ\u00edpios fundamentais da democracia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo de Gaud\u00eancio Torquato. Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico &nbsp; O populismo, outrora um\u00a0fen\u00f3meno\u00a0espor\u00e1dico e localizado, tornou-se, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, uma for\u00e7a global. 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