Segunda, 29 de junho de 2026 · Campo Grande, MS
Economia

5 formas de usar Inteligência Artifial em pequenos negócios

O especialista Daniel Delgado reuniu 5 níveis práticos para implementar a lógica IA first.

 

A inteligência artificial já faz parte da rotina de muitos empreendedores, mas ainda costuma ser usada de forma limitada.

Em muitos pequenos negócios, a tecnologia aparece apenas para corrigir textos, melhorar mensagens, criar legendas ou gerar imagens para redes sociais.

Esse uso pode ajudar, mas está longe de representar todo o potencial da IA para quem empreende.

Segundo Daniel Delgado (@doutoresdoexcel no Instagram, especialista em análise de dados e inteligência artificial aplicada à produtividade, muitos empreendedores ainda tratam a tecnologia apenas como um chat de perguntas ou como apoio pontual para tarefas simples.

Na avaliação dele, esse primeiro uso ajuda, mas representa apenas um dos níveis possíveis da IA dentro de uma empresa.

A tecnologia pode começar corrigindo uma mensagem, mas também pode criar propostas, trabalhar com o contexto do negócio, apoiar o atendimento no WhatsApp e, em um nível mais avançado, ajudar na criação de soluções próprias.

Para o especialista, a IA pode apoiar pequenos e médios empreendedores em diferentes níveis. Ela pode ajudar a escrever melhor, criar propostas, apoiar o atendimento aos clientes, automatizar parte das respostas e, em um estágio mais avançado, dar origem a soluções próprias para a realidade da empresa.

O ponto principal, segundo Daniel, não é começar construindo uma ferramenta do zero, mas entender o contexto do negócio e o que a IA precisa saber para entregar respostas mais úteis.

Ele também ressalta que esse avanço pode passar pela contratação de profissionais que já tenham habilidades em inteligência artificial e pensem a operação a partir dessa lógica.

No mercado, esse conceito costuma ser chamado de “IA first”, quando a tecnologia deixa de ser usada apenas no fim do processo e passa a fazer parte da forma como soluções, atendimentos e rotinas são planejados.

Para pequenos negócios, isso pode reduzir a dependência de programadores ou agências em tarefas que já podem ser estruturadas com apoio da própria IA.

Veja cinco formas de usar a IA em pequenos negócios.

  1. Melhorar mensagens, propostas e textos comerciais

O primeiro uso da IA ainda está na comunicação. A tecnologia pode revisar mensagens para clientes, corrigir uma proposta comercial, melhorar um texto que será enviado em um grupo ou transformar uma ideia solta em uma mensagem mais clara.

Para pequenos empreendedores, esse ganho pode ser importante. Quem atende clientes, envia propostas, responde dúvidas em grupos ou apresenta serviços todos os dias pode usar a IA para criar uma primeira versão mais objetiva e profissional. Nesse nível, a IA funciona como apoio para tarefas de comunicação que já fazem parte da rotina do empreendedor. Ainda assim, o resultado precisa ser revisado por quem conhece o negócio, o cliente e a proposta que será enviada.

  1. Criar materiais de venda e divulgação

Além de textos, a IA pode apoiar a criação de materiais visuais, como banners, imagens e vídeos, além de ideias de divulgação para o negócio. Esse uso pode ajudar principalmente negócios menores, que muitas vezes dependem do próprio dono para divulgar produtos, montar apresentações, criar posts ou preparar materiais comerciais.

A tecnologia pode sugerir formatos, organizar informações, criar rascunhos e acelerar a produção de conteúdos para redes sociais, materiais simples de divulgação, propostas e apresentações comerciais. Ainda assim, Daniel avalia que esse é apenas um dos níveis possíveis. Na visão dele, muita gente ainda perde tempo criando manualmente peças que a IA já pode ajudar a produzir. Mas esse uso, embora útil, ainda é pontual. O potencial maior aparece quando a tecnologia passa a apoiar etapas mais próximas da operação do negócio.

  1. Organizar o contexto do negócio

Um dos pontos mais importantes para usar melhor a IA é fornecer contexto. Segundo Daniel, muitos empreendedores acessam uma ferramenta, fazem uma pergunta genérica e esperam uma resposta precisa. O problema é que, sem informações sobre a empresa, a tecnologia tende a entregar respostas genéricas. Na prática, o empreendedor pode reunir informações sobre o negócio, como produtos, serviços, público, diferenciais, dúvidas frequentes, objeções de clientes, forma de atendimento e características da empresa.

Esse material ajuda a IA a criar respostas mais próximas da realidade da empresa. Também pode servir como base para propostas comerciais, mensagens, respostas a clientes e materiais simples de divulgação. Daniel ressalta que o empreendedor não precisa necessariamente construir uma IA do zero. Antes disso, precisa construir contexto, explicar o que faz, qual é o negócio e o que a ferramenta precisa saber para responder de forma mais útil.

  1. Automatizar parte do atendimento

Outro uso possível está no atendimento ao cliente. Daniel lembra que já existem ferramentas prontas de IA que podem ser usadas por empreendedores, sem que seja necessário construir tudo do zero. Uma das aplicações possíveis é ter um agente de IA atuando dentro do WhatsApp.

Nesse caso, a tecnologia pode responder dúvidas frequentes, apresentar informações sobre o negócio, manter uma primeira conversa com o cliente e apoiar o empreendedor em tarefas repetitivas do atendimento. Para pequenos negócios, esse uso pode reduzir uma sobrecarga comum: responder todos os dias às mesmas perguntas sobre preço, horário, disponibilidade, entrega, agenda ou etapas do serviço. É nesse ponto que a IA deixa de ser apenas uma ferramenta usada pelo empreendedor e passa a participar de uma etapa mais próxima da operação, como a conversa com o cliente.

Para pequenos negócios, porém, a automação precisa ser usada com cuidado. Segundo Daniel, muitos clientes ainda querem falar com uma pessoa, principalmente quando estão perto de fechar uma compra, negociar um serviço ou tirar uma dúvida mais específica. Se o cliente percebe que está falando apenas com uma IA, a chance de perder a venda pode aumentar.

Por isso, a automatização costuma fazer mais sentido em situações de maior volume e menor complexidade, como pedidos de delivery, dúvidas frequentes, horário de funcionamento, status de entrega, cardápio ou agendamento. No processo de venda um a um, o contato humano ainda tende a ser mais assertivo para fechar negócio. Segundo ele, a tecnologia não precisa assumir toda a relação com o cliente para gerar impacto. Em muitos casos, basta apoiar tarefas repetitivas e liberar tempo para que o dono ou a equipe se concentrem em negociações, decisões e conversas mais importantes.

  1. Criar soluções personalizadas para a empresa

O nível mais avançado é a criação de soluções próprias ou hiperpersonalizadas. Nesse estágio, a empresa deixa de adaptar sua rotina a ferramentas genéricas e passa a montar uma solução para resolver um problema específico. Isso pode incluir um assistente treinado com informações da empresa, uma ferramenta interna para gerar propostas, uma automação comercial ou uma solução voltada a uma etapa específica da operação.

Daniel ressalta que nem todo pequeno negócio precisa começar por esse caminho. Antes de criar uma solução própria, o empreendedor deve entender quais tarefas se repetem, onde perde tempo, que informações ficam espalhadas e qual problema precisa resolver.

Para ele, o estágio mais avançado deve estar no radar, mas não precisa ser o ponto de partida. A diferença, nesse caso, está em sair do uso genérico da IA e avançar para uma solução construída para a realidade da empresa. É o caminho da hiperpersonalização, que Daniel aponta como um nível mais profissional de aplicação da tecnologia.

Como começar

A partir da lógica apresentada por Daniel, o primeiro passo é fazer um diagnóstico simples da rotina. O empreendedor pode listar tarefas repetitivas, reunir informações sobre produtos, serviços, público, dúvidas frequentes, objeções e diferenciais.  Em seguida, pode escolher uma área pequena para testar, como uma proposta comercial, um roteiro de atendimento, um banco de respostas ou uma sequência de mensagens para clientes.

Mesmo com o avanço das ferramentas, o julgamento humano continua indispensável. A partir dessa lógica, a inteligência artificial pode deixar de ser usada apenas como novidade e passar a fazer parte da operação das empresas. Nesse cenário, o diferencial não será apenas ter acesso à tecnologia, mas saber aplicá-la de acordo com a realidade de cada negócio.

Quem é Daniel Delgado?

Daniel Delgado é administrador de empresas formado pelo Mackenzie, pós-graduado em Análise de Dados (Anhanguera) e especialista em inteligência artificial aplicada à produtividade, Excel, VBA, Power Query, Power Pivot e Power BI.É fundador e CEO da Doutores do Excel, empresa de cursos e treinamentos corporativos que já formou mais de 180 mil alunos em todo o país.

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