Segunda, 27 de julho de 2026 · Campo Grande, MS
Brasil

Gabinete paralelo de Moraes agiu contra caminhoneiros em 2022

Apenas um dia depois de Luiz Inácio Lula da Silva ser confirmado como vencedor das eleições de 2022, o gabinete paralelo do ministro Alexandre de Moraes agiu com urgência para conter caminhoneiros que protestavam contra a eleição do petista para a Presidência da República.

É o que mostram as mensagens obtidas  por Oeste.

Em 1º de novembro de 2022, no começo das manifestações, o juiz auxiliar de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), Airton Vieira, enviou demandas ao então chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro.

“Eduardo, consegue checar para mim o que segue abaixo?”, perguntou. “As combinações de atividades terroristas e de distúrbio estão saindo dessa conta”, acrescentou Vieira, referindo-se a um perfil não identificado nas redes sociais.

Eduardo Tagliaferro respondeu: “São manifestações de caminhoneiros, estão se movimentando para paralisar o Brasil”.

Em seguida, indagou: “Estou com uma série de grupos manifestando sobre isso, saímos pelo STF ou TSE?”.

A resposta de Vieira indicou o rumo que seria tomado:

“Consegue um relatório simples, para fins de eventual bloqueio?”.

No diálogo, Eduardo Tagliaferro alertou:

“Já estão paralisando diversas rodovias, qual vai ser o tratamento disso?”.

A resposta de Airton Vieira foi curta: “Não sei…”.

Minutos depois, Tagliaferro reagiu com ironia: “Lascou”.

Na sequência, a conversa se voltou para a possibilidade de a Polícia Rodoviária Federal (PRF) atuar para conter os caminhoneiros.

Vieira perguntou: “O TSE tem o e-mail da PRF?”.

O que é a Vaza Toga

As informações e os documentos divulgados nesta reportagem, obtidos por Oeste com exclusividade, acrescentam novos e graves detalhes aos fatos que começaram a vir à luz a partir das revelações contidas em reportagens publicadas inicialmente pelo jornal Folha de S. Paulo, no que ficou conhecido como Vaza Toga.