Sábado, 24 de julho de 2026 · Campo Grande, MS
Brasil

Lula fabrica narrativa para justificar tarifaço e culpar família Bolsonaro

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Lula e suas eternas narrativas

Há uma regra não escrita na política brasileira que Lula domina como poucos: quando a realidade aperta, inventa-se um culpado. De preferência, um que já esteja no banco dos réus da opinião pública.

Foi exatamente o que aconteceu após os Estados Unidos anunciarem novas sanções tarifárias contra o Brasil por “práticas abusivas”. A decisão americana resulta de uma investigação conduzida no âmbito da seção 301 do USTR — o equivalente a um ministério do comércio americano — iniciada há quase um ano. Os resultados foram divulgados agora. Procedimento técnico, burocrático, previsível.

Em vez de explicar ao país o que levou às sanções e apresentar uma estratégia clara de resposta, Lula subiu ao palanque e atribuiu a decisão americana a Flávio e Eduardo Bolsonaro — os “traidores”, nas palavras do presidente. Foi além: mencionou enforcamento como destino desejável para ambos.

A pergunta que ninguém faz é simples: desde quando uma investigação comercial americana de quase um ano é culpa de dois senadores brasileiros?

A resposta é óbvia: não é. Mas a eleição está no horizonte, e na Praça dos Três Poderes só sobrou uma prioridade.

Discurso de ódio com endereço certo

Declarações de líderes políticos sugerindo a morte de adversários não são retórica inofensiva. São combustível.

Flávio Bolsonaro já usa colete à prova de bala nas ruas do Brasil. Foi aconselhado a reforçar sua segurança após as declarações presidenciais. E o histórico recente da América Latina não permite que ninguém finja surpresa caso algo aconteça.

Na Colômbia, o senador Miguel Uribe, forte candidato à presidência e opositor de Gustavo Petro — aliado de Lula —, foi assassinado a tiros em 2025. No Equador, o candidato de direita Fernando Villavicencio foi executado em 2023, logo após um comício. Daniel Noboa, que acabou eleito presidente equatoriano, teve seu carro metralhado por facções terroristas.

E no Brasil, em 2018, uma facada quase tirou a vida de Jair Bolsonaro.

Quando o presidente da República sugere publicamente a morte de opositores, ele não está fazendo figura de linguagem. Está plantando sementes. E a história mostra que essas sementes germinam.

O governo que ameaça e recua no mesmo dia

A nota oficial do governo brasileiro foi na linha dura: ameaçou retaliar os EUA, acenou com a Lei de Reciprocidade. Firme. Soberano. Altivo.

Durou algumas horas.

No mesmo dia, o vice-presidente Geraldo Alckmin correu às redes sociais para pregar o “diálogo”. O senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores, pediu que o Brasil “esgote os caminhos do diálogo” antes de qualquer escalada. Outros governistas no Congresso seguiram o mesmo roteiro.

Agora compare: o governo ameaça retaliação em nota oficial e, horas depois, seus próprios aliados desautorizam a ameaça publicamente. Qual é a estratégia? Alguém sabe? Ou a nota foi escrita para virar manchete e o recuo já estava programado?

Isso tem nome: teatro institucional.

O que os EUA realmente pensam do Brasil

Enquanto o governo brasileiro se ocupa em fabricar narrativas eleitorais, os Estados Unidos seguem catalogando as fragilidades brasileiras com frieza cirúrgica.

Há um ano, o governo americano atualizou a recomendação de viagens para seus cidadãos no Brasil, incluindo risco de sequestro no aviso oficial. Até hoje, a recomendação permanece.

A canetada do ministro Dias Toffoli no STF, que anulou provas contra a Odebrecht — corrupta confessa —, foi citada pelos EUA como evidência da fragilidade brasileira no combate à corrupção.

Enquanto isso, o impacto concreto do tarifaço já se desenha: estimativas da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul apontam que as perdas nas exportações gaúchas podem chegar a US$ 334 milhões. A sobretaxa de 25% afetaria 81% das vendas do estado aos americanos.

Como resumiu o deputado Luiz Philippe Orleans e Bragança, o tarifaço é “duplamente prejudicial” aos brasileiros, que além da taxa já são penalizados pela gestão econômica do governo atual.

O golpe silencioso contra os aposentados

E há um detalhe que passa despercebido no meio do barulho. Aposentados do INSS têm até 20 de junho para contestar descontos associativos fraudulentos em seus benefícios. O governo Lula obriga que a própria vítima conteste o roubo para receber seu dinheiro de volta.

Leia de novo: quem foi roubado precisa provar que foi roubado para parar de ser roubado. E o prazo é curto.

Mas isso não dá palanque.

Flávio Bolsonaro disse uma frase que, independentemente de onde se situe o leitor no espectro político, merece reflexão: “Essa tarifa é do Lula.” Pode-se discordar da simplificação. Mas a investigação americana que resultou nas sanções foi conduzida durante o governo Lula, sobre práticas comerciais do Brasil sob o governo Lula. Atribuí-la à família Bolsonaro não é só desonesto — é desinformação deliberada com fins eleitorais.

E é exatamente o que está acontecendo.

Quando um presidente transforma uma derrota diplomática em munição eleitoral e sugere a morte de adversários em praça pública, o problema não é mais a tarifa americana. O problema é o que estamos dispostos a aceitar em nome de uma narrativa.

fonte: Opinião Folha Destra

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