Quinta, 8 de outubro de 2026 · Campo Grande, MS
Brasil

Mensagens: Vorcaro buscou Lula por Mantega e citou Moraes

Celular de Vorcaro é uma bomba-relógio na República

Mensagens de áudio mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro e o então advogado Walfrido Warde insistiram, em 2025, para que o ex-ministro petista Guido Mantega se reunisse pessoalmente com Lula (PT) e defendesse o Banco Master diante dos questionamentos do Banco Central.

O material, extraído do celular de Vorcaro, indica que o banqueiro tentou mobilizar intermediários para chegar a Lula depois de um encontro ocorrido em dezembro de 2024.

Em setembro de 2025, o BC vetou a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Em novembro, decretou a liquidação da instituição. Vorcaro foi preso no mesmo ano sob suspeita de fraude em ativos.

Mantega havia sido contratado por Vorcaro como consultor, por R$ 14 milhões, para tratar de assuntos ligados ao governo federal.

Segundo o Estadão, que revelou as mensagens, a prioridade do banqueiro era transmitir a Lula e a outros integrantes do governo a tese de que o Master estava sendo injustiçado pelo BC e de que as carteiras de crédito repassadas ao BRB tinham o valor declarado pelo banco.

O Palácio do Planalto informou que Lula se encontrou apenas uma vez com Vorcaro e não respondeu se houve conversas com Mantega ou Warde sobre o Master.

A nota afirma que o encontro, em 4 de dezembro de 2024, não estava previamente agendado: Vorcaro foi ao Planalto acompanhado de Mantega, e também participaram o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, então diretor de Política Monetária e hoje presidente do BC.

Na ocasião, Vorcaro disse sentir-se alvo de perseguições, e Lula respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central.

O Planalto ressaltou que não houve outro contato entre o presidente e o banqueiro e lembrou que a liquidação do Master e a prisão de Vorcaro ocorreram no atual governo.

Nas conversas, Vorcaro disse considerar ter apoio do STF, de Lula, da Câmara e do Senado para a aprovação da venda ao BRB no BC.

Por isso, afirmou que um diretor do Banco Central contrário ao negócio estaria “indo contra” essas quatro instituições.

Em 23 de julho de 2025, Warde escreveu a Vorcaro que estava com Marco Aurélio Santana Ribeiro, então chefe de gabinete de Lula, a quem chamou de “Marcola”, e pediu que o banqueiro atendesse.

Depois, enviou um áudio dizendo que Mantega estava em Londres e só voltaria dali a dez dias, e sugeriu que Vorcaro mandasse um avião buscá-lo para o encontro com o presidente.

Em seguida, encaminhou mensagens, sem identificar o autor, segundo as quais o “pr” teria falado com Mantega por telefone e dito que o chamaria assim que ele retornasse.

Trechos desses diálogos já haviam sido publicados pelo jornal O Globo.

Dois dias depois, Warde pediu uma videoconferência com Vorcaro e Mantega para orientar o ex-ministro e disse que era urgente porque ele falaria no domingo com “você sabe quem”.

Às 14h18 insistiu: “Vc pode em 10 minutos falar comigo e Guido?”.

Cerca de uma hora depois, os três fizeram uma ligação de 23 minutos.

Warde escreveu em seguida: “Parabéns. Importante call. Vai dar certo”. Vorcaro respondeu: “Muito obrigado”.

Em 31 de julho, Vorcaro cobrou o próprio Warde: “Você precisa conversar com o chefe. Única chance nossa”.

O advogado disse que tentava falar com Marcola. Vorcaro completou que ele precisava ouvir da boca do advogado que não havia problema nenhum e que o dano causado era irreversível. Warde respondeu que resolveria e que iriam “desarmar tudo isso”.

No mesmo período, diante da dificuldade de marcar o encontro de Mantega com Lula, Vorcaro sugeriu acionar “Alexandre”, sem deixar claro se a referência era ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Warde respondeu: “Sim. Vou pavimentar”.

Vorcaro também relatou ter recebido informações do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre uma conversa com Galípolo.

Em 17 de julho de 2025, Motta escreveu que Galípolo iria à casa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ao fim de uma reunião que tratava do Master.

O diálogo não esclarece se Motta participou dessa conversa. Às 21h55, Motta ligou para Vorcaro e falou por dois minutos.

Em seguida, pediu que o advogado avisasse o presidente no dia seguinte e escreveu: “vamos pra guerra”.
Warde respondeu que levaria o assunto ao conhecimento do presidente.

Mais tarde, às 23h16, Vorcaro criticou o então diretor do BC Renato Gomes, contrário à venda, sugeriu pedir a “suspeição” dele e afirmou que o diretor estava “indo contra” o apoio que dizia ter no STF, no Congresso e na Presidência.

Procurado, Motta disse, por meio da assessoria, que o contato com o empresariado é inerente à atividade parlamentar, que os diálogos não maculam sua atuação e que seus contatos com o setor privado sempre foram pautados pela institucionalidade e pela probidade.

Afirmou ainda confiar nos órgãos responsáveis pelas investigações.

A assessoria de Alcolumbre não se manifestou. Moraes foi procurado pela assessoria do STF e também não se pronunciou.

fonte: Diário do Poder

Mais do que uma contribuição financeira, é uma forma de dizer que você acredita no mspontocom.

Apoie o www.mspontocom.br

Apoie o mspontocom

 

É ótimo te-lo como leitor. Continue na companhia do mspontocom em: https://mspontocom.com.br/ ou https://www.facebook.com/rafael.rodrigues.14038/