Quarta, 9 de setembro de 2026 · Campo Grande, MS
Brasil

Sergio Moro fala com exclusividade ao mspontocom

 

8 perguntas a Sergio Moro sobre a política brasileira

Sergio Moro conversou com exclusividade com o mspontocom e respondeu a perguntas sobre segurança pública, saúde, Jair e Flavio Bolsonaro e os caminhos que pretende seguir para o Paraná.

Trazer até ao nosso leitor o pensamento de figuras públicas que possa melhorar nosso país.

Esta é a nossa missão

 

1 – O senhor afirma que pretende transformar o Paraná no estado mais seguro do Brasil. O que, concretamente, faria nos primeiros 100 dias de governo para enfrentar o crime organizado, o tráfico de drogas, os homicídios e a sensação de insegurança da população?

Uma de nossas ações, já nos primeiros 100 dias de governo, envolve o ataque a uma das grandes preocupações do paranaense: o crime organizado. Vamos integrar as forças de segurança e criar forças-tarefas com missões muito claras: identificar e prender lideranças criminosas, desarticular organizações e, principalmente, atacar o patrimônio do crime.”

Também quero iniciar a implantação de um presídio estadual de segurança máxima, para isolar essas lideranças e impedir que continuem comandando o crime de dentro das cadeias.

E nada disso funciona sem valorizar os nossos policiais. Precisamos dar melhores condições de trabalho, equipamentos, treinamento e estrutura.

Eu quero um Paraná em que as pessoas possam sair de casa, trabalhar e criar os filhos com tranquilidade. Reduzir homicídios, combater o crime organizado e devolver essa sensação de segurança vai ser uma prioridade desde o primeiro dia.

2 – O Paraná tem fronteiras internacionais e enfrenta a atuação de grandes organizações criminosas. Como o seu governo pretende integrar Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, forças federais e tecnologia para impedir que o Estado continue sendo rota e território de atuação dessas organizações?

O Paraná tem uma posição estratégica, mas hoje essa posição também é explorada pelo crime organizado. Não podemos aceitar que nossas fronteiras sejam corredores para drogas, armas e contrabando.

O que eu pretendo fazer é integrar de verdade as forças de segurança. Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica precisam trabalhar com as forças federais, como Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, compartilhando inteligência e planejando operações em conjunto.

Também quero criar uma Diretoria de Fronteiras e fortalecer os centros de inteligência. Informação precisa chegar rápido a quem está na ponta para que a polícia possa agir antes que o crime aconteça.

Vamos usar mais tecnologia, com videomonitoramento integrado, leitura de placas e ferramentas de inteligência para identificar veículos, rotas e movimentações suspeitas.

O crime organizado não respeita fronteira nem divisa. Então o Estado também precisa atuar sem essas divisões, de forma integrada e inteligente, atacando não apenas quem transporta a droga ou a arma, mas toda a organização que está por trás.

3 – O senhor tem defendido a criação de um SUS Paranaense, inclusive com uma tabela própria de remuneração. Como esse modelo funcionaria e de onde viriam os recursos para melhorar o atendimento, reduzir filas e valorizar hospitais e profissionais de saúde?

O SUS é uma grande conquista dos brasileiros, mas precisamos fazer o sistema funcionar melhor. O problema é que muitos hospitais estão sendo remunerados pelo SUS federal com valores defasados, e isso acaba comprometendo o atendimento.

Por isso, eu defendo uma tabela paranaense, nos moldes do que já foi feito em São Paulo, para que o Estado complemente esses valores e dê condições para os hospitais continuarem atendendo bem a população.

Os recursos terão que vir do próprio orçamento estadual. Isso significa definir prioridades, melhorar a gestão e cortar desperdícios. Saúde, para mim, tem que ser prioridade.

Também precisamos enfrentar o problema das filas. Hoje muitas vezes existe uma estrutura disponível, mas falta informação e organização. Quero usar tecnologia para integrar os dados e permitir que o Estado saiba onde existem vagas para consultas, exames e cirurgias.

A lógica é muito simples: quem presta um serviço de qualidade para o SUS no Paraná precisa ser remunerado de maneira adequada.

4 – O senhor fala frequentemente em um governo técnico e baseado em resultados. Como pretende montar sua equipe? Haverá espaço para indicações políticas ou os secretários serão escolhidos predominantemente por critérios técnicos e experiência?

Eu quero montar um governo com pessoas competentes, íntegras e que conheçam as áreas pelas quais serão responsáveis. O principal critério será capacidade técnica e capacidade de entregar resultados.

Não quero secretaria sendo usada como prêmio político ou como espaço para acomodar pessoas. Evidentemente, um governador precisa conversar com a Assembleia, com os partidos e com diferentes setores da sociedade. Isso faz parte da política.

Mas qualquer pessoa que venha a ocupar uma secretaria vai precisar demonstrar competência, integridade e compromisso com resultados.

Também quero um governo mais enxuto, mais eficiente e com metas claras. Quem assumir uma secretaria vai saber exatamente o que precisa entregar e será cobrado por isso.

5 – Como ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça, o combate à corrupção é uma marca da sua trajetória. Se eleito governador, quais mecanismos pretende criar para impedir desvios de dinheiro público e aumentar a transparência nas compras e contratos do Estado?

Aprendi, ao longo da minha trajetória, que combater a corrupção não é apenas punir depois que o dinheiro desapareceu. É preciso prevenir, fiscalizar e agir antes que o problema aconteça.

Por isso, uma das nossas principais medidas será criar uma Agência Estadual Anticorrupção, com estrutura e autonomia para fortalecer a prevenção, a fiscalização e o combate aos desvios de dinheiro público.

E essa agência precisa ter independência para trabalhar. Por isso, quem estiver à frente terá mandato fixo, nos moldes do que existe para a presidência do Banco Central, não podendo ser simplesmente afastado por uma decisão política do governador. A perda do mandato ocorrerá nas hipóteses previstas em lei, como desvio de conduta. Isso dá segurança, estabilidade e transparência para quem estiver coordenando o trabalho da agência e evita qualquer tipo de interferência política na fiscalização.

Vamos também ampliar os mecanismos de integridade, os canais seguros de denúncia e o controle sobre licitações e contratos. Quero usar cada vez mais tecnologia para que a população possa acompanhar como o dinheiro público está sendo aplicado.

Também vamos criar um mecanismo de acompanhamento das obras públicas, verificando contratos, prazos, custos e execução. Porque anunciar uma obra é fácil. O que importa é entregar.

Para mim, integridade vai ser uma exigência em todo o governo. Cada real desviado é um real que deixa de chegar à saúde, à educação, à segurança e aos serviços que o cidadão precisa.

6 – O senhor é um dos principais críticos do governo Lula e pretende governar um Estado que depende de recursos e parcerias com a União. Se eleito, como será sua relação com o presidente Lula: confronto político ou diálogo institucional em defesa dos interesses do Paraná?

Eu acredito na vitória do Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. Acho que ele representa uma alternativa para o Brasil e é o cenário que eu espero que aconteça. Mas, na política, a gente também precisa trabalhar com o pior cenário, e o pior cenário, na minha avaliação, seria a reeleição do Lula.

Nesse caso, eu tenho divergências profundas com o governo Lula e não vou deixar de defender aquilo em que acredito. Mas, como governador, minha prioridade será o Paraná. Não vou permitir que uma divergência política prejudique os paranaenses ou impeça a chegada de recursos e investimentos importantes para o Estado.

Vou manter uma relação institucional e republicana com o governo federal. Se houver um projeto que seja bom para o Paraná, vou buscar a parceria. Se houver uma medida que prejudique o Estado, vou criticar e vou me posicionar com firmeza.

O governador precisa colocar os interesses dos paranaenses acima das disputas políticas. Eu vou defender o Paraná independentemente de quem estiver ocupando a Presidência da República.

7 – O senhor já foi juiz, ministro da Justiça, candidato à Presidência e hoje é senador. Agora disputa o Governo do Paraná. Por que o paranaense deve acreditar que Sergio Moro está finalmente no cargo certo para fazer a transformação que promete?

Eu acredito que cada etapa da minha trajetória me preparou para este momento. Como juiz, enfrentei a corrupção e o crime organizado. Como ministro da Justiça, conheci de perto os desafios da segurança pública e da administração pública. E, no Senado, adquiri experiência política e aprendi ainda mais sobre como construir soluções dentro das instituições.

Agora eu quero colocar toda essa experiência a serviço do Paraná. É o meu Estado. Eu nasci aqui, cresci aqui e construí minha história aqui. Conheço os problemas que os paranaenses enfrentam, mas também conheço o enorme potencial que o nosso Estado tem.

E quero levar para o Governo do Paraná a mesma coragem e determinação que tive na Lava Jato e no Ministério da Justiça. Na Lava Jato, nós enfrentamos interesses poderosos e mostramos que era possível combater a corrupção com firmeza. No Ministério da Justiça, enfrentamos o crime organizado. Agora quero usar essa mesma disposição para enfrentar os problemas do dia a dia do paranaense: na segurança, na saúde, na educação, na infraestrutura.

Eu quero ser governador porque acredito que posso fazer essa transformação no Paraná. Não vejo o Governo do Estado como mais um cargo na minha trajetória. Vejo como uma missão e como uma oportunidade de devolver ao Paraná, com trabalho e resultados, tudo aquilo que o Estado me proporcionou.

Quero fazer um governo sério, eficiente, técnico e íntegro. E, principalmente, um governo que tenha coragem para tomar as decisões necessárias e colocar o interesse da população acima de interesses políticos ou corporativos.

8 – O senhor foi adversário de Jair Bolsonaro em 2022 e hoje está novamente no campo da direita, enquanto Lula continua sendo seu principal adversário político. Olhando para trás, o senhor faria alguma coisa diferente na eleição de 2022? E qual é hoje a sua relação política com Bolsonaro?

A eleição de 2022 aconteceu em um contexto muito específico. Naquele momento, tomei as decisões que considerei corretas. É claro que toda experiência política traz aprendizados, mas não tenho interesse em ficar olhando para trás e revivendo as disputas daquela eleição.

Eu me lembro, inclusive, que durante a campanha de 2022 eu estava em casa quando recebi uma ligação do próprio Jair Bolsonaro me convidando para acompanhá-lo no debate da TV Globo. Ele não havia me apoiado para o Senado, mas, naquele momento, as diferenças foram deixadas de lado porque sabíamos do risco que seria uma vitória de Lula, o que, infelizmente, acabou se confirmando. Isso mostra que, apesar das divergências, naquela ocasião, sempre existiu uma relação de respeito.

Hoje estamos no mesmo campo político, fazendo oposição ao governo Lula e defendendo pontos importantes em comum, como a liberdade, a segurança pública, a responsabilidade fiscal e o combate à corrupção.

Minha relação com o ex-presidente Bolsonaro hoje é de respeito e diálogo. Temos convergências e também temos diferenças, como é natural na política.

Mas eu acho que precisamos olhar para frente. Minha prioridade agora é o Paraná. Quero apresentar aos paranaenses um projeto de governo capaz de melhorar a segurança, os serviços públicos e a qualidade de vida da população.

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