Se depender de Lula, vem aí o Bolsa Receptador

O presidente Lula, em mais um de seus discursos que misturam messianismo eleitoreiro com descolamento da realidade, diante de uma plateia controlada, como de hábito, voltou a “deitar falação” sobre segurança pública, especialmente sobre roubo de smartphones, tema em que mistura ignorância, má-fé intelectual, demagogia e, sobretudo, muita complacência com a criminalidade, como de costume.

Em Aracruz (ES), Lula decidiu estabelecer uma espécie de DR com ladrões e receptadores de aparelhos celulares roubados.

Segundo ele, uma gente humilde, dotada de boa-fé, que, “como todos nós”, não resiste a uma boa oferta.

Depois de décadas em que o cidadão honesto aprende, na prática, a andar olhando para os lados, e agradecer aos céus quando volta vivo para casa, agora surge uma nova tese humanista: talvez seja injusto pedir que alguém devolva um aparelho roubado sem receber alguma compensação.

Criminoso é vítima

É isso mesmo. A “alma mais honesta deste país” afirmou compreender quem compra um celular roubado “de boa-fé”, e cogita criar uma forma de “seduzir” o receptor a entregar o aparelho.

O sujeito compra um iPhone de R$ 8 mil por R$ 1,5 mil, sem nota, sem caixa, sem origem, e o governo acha razoável discutir um incentivo estatal para convencê-lo a devolver o produto ao dono original.

O Brasil do lulopetismo talvez seja o único país do mundo onde o Estado demonstra mais preocupação com quem compra um objeto roubado do que com a vítima.

Premiando o ladrão

O sujeito que, de boa-fé ou não, por ignorância ou não, porque “não resiste a uma boa oferta” ou não, compra algo roubado – celular, peças automotivas, tênis ou cigarros – alimenta o mercado e financia o próximo assalto.

É ele que bancariza o crime, que dá liquidez ao furto, transformando violência urbana em modelo de negócios.

Não é um detalhe social lateral da cadeia criminosa, e, sim, uma peça central dela.

Mas Lula, para não variar, prefere tratar o tema como uma espécie de dilema social.

Um mal-entendido antropológico entre pobres consumidores, marginalizados pelo capitalismo selvagem, que não permite que tenham renda e bens de consumo, e os ricos crueis.

É a eterna romantização de esquerda da ilegalidade, quando fantasiada de necessidade: “Roubar pra tomar uma cervejinha”.

Daqui a pouco, a depender do lulopetismo, principalmente em ano eleitoral, haverá cashback do receptador consciente: entregue seu celular roubado e ganhe pontos no programa Meu Governo Minha Vida.

Preparem o bolso, porque, conhecendo Lula como conhecemos, logo, logo ele lançará um Bolsa Receptador.

Afinal, para quem já recebeu mimos como sítios e tríplex, o que é um iPhonezinho 15?

Fonte: Ricardo Kertzman, O Antagonista

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