O Nordeste, reduto histórico de Luiz Inácio Lula da Silva, já não é mais o que era.
Entre os nordestinos, a aprovação caiu para 52% e a desaprovação chega a 46%, a menor diferença entre toda a série histórica da Genial/Quaest.
Em períodos anteriores, a aprovação já foi mais que o dobro da desaprovação na região.
Tudo começou a mudar a partir de outubro do ano passado, com um crescimento vertiginoso da rejeição desde então.
Nordeste ainda sustenta, mas a base range
O Nordeste mantém 63% de aprovação na pesquisa Quaest de abril, abaixo do pico de 67% registrado em janeiro de 2026.
Em maio, a aprovação ficou estável em 63%, mas a avaliação negativa do governo recuou apenas de 42% para 39% na região, movimento modesto diante da sangria registrada em outras partes do país
Quanto mais o Nordeste se aproxima da média nacional de desaprovação, menor tende a ser a vantagem que a região pode proporcionar a Lula em um segundo turno possivelmente apertado.
Insegurança e custo de vida: desgaste
Os levantamentos dizem que os nordestinos estão sentindo o aumento dos preços das coisas.
O governo Lula foi avaliado, pela primeira vez, como pior do que o governo Bolsonaro.
No Nordeste, o peso da inflação de alimentos é ainda mais agudo porque a renda média é menor e a proporção do orçamento destinada a alimentação é maior.
A cesta básica subiu em todas as 27 capitais em abril, com destaque para os estados nordestinos, e o preço da gasolina, anunciado pela Petrobras para subir “já já”, tende a ampliar o custo de vida nas cidades de médio porte da região.
Eleitores falam em ‘discurso repetido’
Lula tem perdido o Nordeste, os jovens, os pobres, os menos escolarizados e os católicos.
Os pretos e pardos avaliaram o governo negativamente pela primeira vez.
O diagnóstico dos analistas aponta que os discursos de Lula, repetidos desde 2002, encontram menos ressonância num eleitorado que viveu os dois mandatos anteriores e cobra resultados concretos.
A narrativa do “nunca antes na história deste país” não convence quem acompanhou a escalada do preço da carne, do aluguel e do gás ao longo dos últimos três anos, conforme a análise de dados das principais sondagens, como Datafolha, Atlas/Intel e Genial/Quaest.



