A maior base eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está perdendo o vigor que manteve durante décadas.
O Nordeste, reduto histórico do petista, já não oferece o colchão de votos capaz de sustentar uma reeleição confortável.
A avaliação é de Andrei Roman, CEO do AtlasIntel, que participou da conferência Brasil em Pauta Nova York para analisar o cenário eleitoral de 2026.
Bolsa Família deixou de ser trunfo exclusivo de Lula
Um dos pilares da crise de apoio ao governo Lula na região está diretamente ligado à mudança de percepção sobre o Bolsa Família.
Segundo Roman, o programa social perdeu a associação direta com o presidente e passou a ser encarado pela população como um direito permanente, e não mais como uma concessão que poderia desaparecer com a troca de governo.
“O Bolsa Família não é mais visto como um programa que poderia ser cancelado por outro governo, tampouco é mais atrelado ao Lula”, destacou o CEO da AtlasIntel. “Além disso, o benefício é encarado como um direito. Além disso, tem a questão da violência.”
Inversão nos índices de aprovação
Roman traçou uma comparação reveladora entre os níveis de aprovação do Bolsa Família e os do próprio presidente.
Em tempos anteriores, o programa social ostentava números muito superiores aos de Lula pessoalmente.
Esse cenário se inverteu completamente.
Desafio eleitoral ampliado pela erosão no Nordeste
A erosão do chamado “bônus do Nordeste” altera profundamente a dinâmica da corrida eleitoral.
Com a redução da vantagem na região, Lula precisaria expandir significativamente sua base de apoio em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais para equilibrar as perdas.
A conferência Brasil em Pauta Nova York evidenciou mudanças significativas na distribuição regional de votos, reforçando o diagnóstico de que o Governo Lula enfrenta um derretimento de popularidade que já atinge o coração de sua base mais fiel.



