
STF projetava 21 conservadores eleitos. Errou. Foram 29
A vitória da Direita nas eleições e a construção de uma maioria conservadora de quase dois terços no Senado extrapolou as previsões feitas nos últimos meses por ministros do STF e lançou dúvidas sobre a reação do tribunal às ofensivas contra seus integrantes.
Um ministro do Supremo ouvido pelo UOL projetava, em 2025, que seriam eleitos para o Senado 21 conservadores, sendo 12 radicais.
No mês que antecedeu a eleição, ele aumentou a previsão para até 15 senadores da direita de Bolsonaro.
O cenário, porém, revelou-se diferente.
O Partido Liberal, de Flávio Bolsonaro, elegeu 19 candidatos e terá uma bancada de 28 senadores. Novo e Republicanos, juntos, elegeram cinco senadores —todos favoráveis ao impeachment de ministros do Supremo.
A bancada anti-STF também reúne senadores de partidos diversos, como MDB, Podemos e PP. As bancadas à direita, somadas, detêm a maioria do novo Senado e representam quase dois terços da Casa Alta.
Parte do tribunal acredita que o resultado da eleição não pode ser interpretado como uma derrota automática para o Supremo nas pautas que serão levantadas a partir de 2027 —em especial, nas articulações por impeachment de ministros.
Outro ministro do Supremo não acredita no sucesso do diálogo com o bolsonarismo e avalia que o tribunal precisará usar de seus instrumentos para a defesa institucional contra a capitulação da corte.
Segundo essa corrente, o tribunal precisará atuar para garantir o equilíbrio entre os Poderes diante de maiorias passageiras.
A avaliação unânime é que a onda de Direita elegeu mais candidatos do que o previsto e que o resultado representa uma derrota ao Supremo.
A extensão dos efeitos para o tribunal, porém, ainda não estão claras.
Impeachment
Uma das principais bandeiras do bolsonarismo, o impeachment de ministros do Supremo não aparece no plano de governo de Flávio Bolsonaro.
Aparece, porém, nos discursos do candidato e de aliados eleitos para o Senado.
Cara de Pau
O ministro Gilmar Mendes decidiu, em dezembro de 2025, alterar as regras para o impeachment de ministros do Supremo. Por que será?
fonte: Cezar Feitoza, UOL
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