Quarta, 9 de setembro de 2026 · Campo Grande, MS
Brasil

VERGONHA: PGR quer anular provas que o ligam a Vorcaro e detonam Moraes

Como diria Boris Casoy: Isso é uma vergonha 

A iniciativa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de pedir a nulidade do relatório da Polícia Federal sobre o celular de Daniel Vorcaro é, no mínimo, uma vergonha.

O chefe da PGR alega que as provas seriam nulas porque o ministro André Mendonça teria determinado a identificação de destinatários das mensagens do ex-banqueiro “sem pedido do Ministério Público ou da Polícia Federal” e porque, segundo ele, um colega do STF só poderia ser investigado com autorização do Plenário.

O problema é que Gonet sabe — ou deveria saber — o que o relatório realmente é.

O investigado é Vorcaro. O material não é um inquérito aberto contra Alexandre de Moraes.

É a extração do aparelho do ex-controlador do Banco Master e o mapeamento das conversas, menções e interlocutores que aparecem ali.

O próprio documento da PF descreve o cumprimento de ordem para identificar pessoas citadas nas comunicações do banqueiro.

Não há, nesse relatório, formalização de investigação contra Moraes. Há o conteúdo do celular de Vorcaro.

A tese de Gonet inverte o objeto. Transforma a leitura de mensagens de um investigado sem foro em “escrutínio de um colega da Corte”.

Com isso, pede não só a nulidade da ordem de Mendonça, mas a extinção do que o relatório revelou — inclusive trechos que citam o próprio PGR.

Nas conversas apreendidas, o advogado Ciro Soares aparece como interlocutor entre Vorcaro e Gonet; há foto de Ciro com o procurador-geral, a frase “ele quer falar com você”, ligações em seguida, mensagens atribuídas a Gonet (“Já estou com saudades de você”).

A PF não atribui crime a Gonet nesse relatório. Só registra o que estava no celular.

O constrangimento institucional está aí.

O chefe do Ministério Público, citado nas mesmas extrações, recorre a uma doutrina de foro e de competência para tentar invalidar o conjunto das mensagens.

Argumenta que Mendonça não poderia “aprofundar pesquisas sobre o colega” e que, havendo qualquer impressão de irregularidade, deveria ter ido ao presidente do STF para o Plenário deliberar.

Mas o relatório não investiga Moraes como alvo originário: investiga Vorcaro e descreve com quem ele falava. Tratar isso como investigação clandestina de ministro é um desvio de enquadramento.

Se o padrão de Gonet prevalecer, qualquer menção a autoridade com foro no celular de um investigado comum vira prova nula — não porque a prova seja ilícita, mas porque o nome poderoso apareceu.

No caso concreto, o PGR pede o arquivamento de um relatório que o inclui e que detalha a proximidade de Vorcaro com Moraes.

Chamar isso de “tutela da legalidade” é eufemismo.

É tentativa de apagar o conteúdo sob o pretexto de que Moraes teria sido investigado sem autorização do STF, quando o que existe é o telefone de Vorcaro.

fonte: Diário do Poder

Continue na companhia do mspontocom em: https://mspontocom.com.br/ ou https://www.facebook.com/rafael.rodrigues.14038/