
Vista aérea de Campo Grande – um desaforo á população
A CDL Campo Grande apresenta o manifesto “Movimenta Campo Grande”, documento que reúne levantamento estrutural, impacto orçamentário e consequências socioeconômicas da degradação da malha viária da capital.
O material mostra que o problema do asfalto não afeta só quem tem carro, atinge toda a população, de forma direta ou indireta.
O presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, afirma que a degradação das vias compromete diretamente a vida do lojista e do consumidor.
“O asfalto ruim encarece o frete, atrasa a entrega e afasta o cliente da loja. Quando a rua não funciona, o comércio sente primeiro”, diz.
O documento também aponta um ciclo de prejuízo entre a malha viária e o transporte coletivo.
Trafegar sobre buracos reduz em até 40% a vida útil de peças de suspensão dos ônibus urbanos, o que ajuda a explicar a crise de frota do Consórcio Guaicurus.
Sem transporte público confiável, parte da população recorreu à compra de veículos próprios para não perder o emprego por atraso, o que elevou o comprometimento da renda familiar com financiamento, combustível e manutenção.
O manifesto ainda mostra que o município paga indenizações judiciais que variam de R$ 5.000,00 a mais de R$ 30.000,00 por processo, decorrentes de danos causados por crateras.
Esse valor sai do tesouro municipal, ou seja, do imposto pago pela própria população, que financia duas vezes o mesmo problema: paga para ter rua segura e paga de novo quando a rua machuca alguém.
Para reverter esse quadro, a CDL Campo Grande apresenta cinco propostas com respaldo em leis federais e em práticas já testadas por outras cidades do país.
A primeira sugere o redirecionamento de até 30% do superávit da COSIP para a manutenção de vias, com base na Emenda Constitucional nº 132/2023.
A segunda propõe a redução emergencial do duodécimo repassado à Câmara Municipal, com remanejamento do valor para pavimentação, seguindo modelo adotado por Curitiba e Porto Alegre.
A terceira defende a vinculação das multas de trânsito a um fundo municipal de recuperação viária, o FUMPAV, com base no Código de Trânsito Brasileiro.
A quarta indica a adoção de contratos de eficiência para obras de recapeamento, com pagamento vinculado a critérios de desempenho e durabilidade, modelo em uso em Belo Horizonte e no Paraná.
A quinta reforça a fiscalização sobre concessionárias e empreiteiras que atuam na via pública, com exigência de laudo técnico de compactação do solo e sanções diretas em caso de descumprimento.
“Não é um documento contra a gestão, é um chamado para a gestão. Campo Grande precisa de planejamento contínuo, não de remendo”,completa Adelaido Figueiredo.
O mspontocom cumprimenta a associação pela iniciativa.
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