Soberania começa dentro do Brasil
Há palavras que, de tanto serem repetidas, começam a perder o significado.

Soberania parece ser a palavra da vez no discurso do presidente Lula.
No pronunciamento de 7 de Setembro, o presidente voltou a afirmar que o Brasil não será “colônia de ninguém” e apresentou a soberania como uma espécie de bandeira nacional diante de ameaças externas.
Tudo muito bonito. O problema é que existe uma pergunta incômoda: e a soberania dentro do Brasil?
Vamos começar pelo suposto perigo de uma invasão americana.
Convenhamos: imaginar que Donald Trump esteja preparando uma invasão militar ao Brasil parece muito mais um roteiro de ficção científica-política do que uma ameaça concreta.
O Brasil não precisa de tanques estrangeiros atravessando suas fronteiras para descobrir que existe um problema sério de soberania. Basta olhar para dentro.
Quando uma facção determina quem pode circular, cobra taxas, expulsa moradores, controla serviços clandestinos e impõe suas próprias regras, alguma coisa está profundamente errada.
A própria legislação brasileira aprovada em 2026 reconhece o controle territorial ou social por organizações criminosas como uma forma especialmente grave de criminalidade.
Então, o mspontocom pede permissão para uma provocação:
Que soberania é essa que se preocupa tanto com o inimigo externo enquanto brasileiros perdem o direito de mandar em seus próprias casas, bairros, cidades?
Soberania não é apenas petróleo, terras raras, comércio exterior ou discursos contra governos estrangeiros. É também a capacidade do Estado de garantir que a lei prevaleça sobre a força do crime.
E aqui chegamos a outro ponto que o mspontocom considera fundamental: pobreza não fabrica criminosos automaticamente.
Milhões de brasileiros pobres acordam cedo, trabalham, estudam, criam filhos e enfrentam dificuldades sem escolher o caminho do crime.
Dizer que a criminalidade é simplesmente consequência da pobreza ou da “sociedade” acaba sendo uma enorme injustiça justamente com o pobre honesto.
O criminoso deve responder pelo crime que cometeu.

As causas sociais podem e devem ser discutidas, mas explicação não pode virar desculpa. Impunidade também educa — e educa para o crime, não é Lula?
O Brasil precisa combater a desigualdade? Evidentemente. Precisa investir em educação? Sem dúvida.
Mas também precisa prender criminosos, asfixiar financeiramente as facções, recuperar territórios e proteger quem trabalha honestamente.
Porque a verdadeira soberania começa quando o cidadão consegue abrir a porta de casa sem pedir autorização ao criminoso.
Enquanto isso não acontecer, falar em “Brasil soberano” pode até render um belo discurso de 7 de Setembro.
Mas discurso não recupera território.
Estado forte, lei respeitada e cidadão protegido: eis a soberania que interessa ao brasileiro.
O resto pode ser apenas… balela
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