
Para o jurista Wálter Maierovitch o grupo “deveria ter trocado a toga pela beca”.
O jurista Wálter Maierovitch classificou como “coisa de gângster” o ataque de ministros aliados de Alexandre de Moraes, na sessão do STF do dia 15 de setembro, em entrevista ao Estadão.
A reunião havia sido convocada para decidir se a Corte abriria investigação contra Moraes por suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas o mérito nunca chegou a ser votado.
“Ninguém podia imaginar togas sujas” no STF, referindo-se à luta de ministros pela impunidade.
Para Maierovitch, conhecido por suas posições independentes, Gilmar Mendes deu a “embalagem jurídica” de uma estratégia para impedir o julgamento.
Com Flávio Dino e Cristiano Zanin, o decano teria feito uma “defesa pela impunidade”: em vez de enfrentar as 52 mensagens extraídas do celular de Vorcaro e o contrato milionário do Banco Master com o escritório da família de Moraes.
O grupo deslocou o debate para questões de ordem, preliminares e acusações cruzadas.
O jurista aponta ainda a ameaça de Gilmar a colegas antes e durante a sessão.
O decano chegou a evocar a “ética da máfia”, sobre blindagem de colegas sob suspeita, contra André Mendonça, relator que pediu a apuração, e pressionou pela suspensão, pela juntada dos processos e pela troca de relatoria.
Para Maierovitch, o grupo “deveria ter trocado a toga pela beca”.
A manobra, diz ele, não foi mero incidente processual: foi um tumulto organizado para impedir que o Supremo examinasse indícios contra um de seus membros.
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