A narrativa da Globo e os milhões da Secom
Globo, GloboNews, CNN, Record, Band e o resto do consórcio tradicional de imprensa insistem em uma mesma narrativa: transformar a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos em uma cinematográfica “fuga”.
O termo é repetido em jogral, como se o jornalismo de redação tivesse o poder de decretar prisões no grito.
A realidade jurídica, no entanto, insiste em estragar a festa dos militantes com microfone.
Juristas são categóricos: para alguém ser classificado legalmente como “foragido”, é indispensável que exista um mandado de prisão expedido pela Justiça e a busca ativa em andamento.
O jurista e parecerista André Marsiglia foi cristalino ao explicar que a saída do parlamentar para o exterior não pode ser classificada como fuga.
Ele reforçou que o descumprimento de medidas cautelares alternativas — como a entrega de passaportes — não gera automaticamente o status de foragido.
Até a própria Polícia Federal emitiu nota oficial esclarecendo que restrições a documentos não autorizam prisão imediata nem caracterizam fuga.
Portanto, a grande mídia não apenas erra: ela erra com endereço, método e intenção.
O mspontocom não se surpreende.
O consórcio torce e distorce à vontade por uma razão muito simples, dividida em duas camadas bem alinhadas:
Na camada de baixo, temos repórteres, comentaristas e apresentadores tomados pelo viés ideológico de esquerda — uma deformação profissional que já vem pronta das faculdades de jornalismo.
Na camada de cima, diretores e presidentes não estão nem aí para a ideologia, mas têm um amor incondicional pelo caixa da empresa.
Eles vivem de propaganda governamental.
A diretoria silencia sobre a militância da redação, a redação entende o silêncio como anuência e todos comemoram o melhor dos mundos: ideologia no peito e salário gordo na conta.
Quer entender o entusiasmo editorial da Globo e CNN? Vamos aos números:
Entre janeiro de 2023 e meados de 2026, o Grupo Globo abocanhou cerca de R$ 270 milhões em contratos de publicidade geridos diretamente pela Secom do Palácio do Planalto.
Uma alta expressiva que passa de 228% em comparação com a gestão anterior.
A CNN Brasil também não ficou para trás: abocanhou R$ 4,3 milhões em verbas de publicidade federal no mesmo período — um salto de 41%.
Com tanto dinheiro jorrando dos cofres públicos para a folha de pagamento das emissoras, fica fácil entender por que a narrativa precisa favorecer o presidente de plantão.
Afinal, a verdade que se dane: o importante é manter o pix do governo caindo na conta.
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