
O policial federal Jorge Chastalo Filho, que atuou como carcereiro de Lula (PT) durante os 580 dias em que o petista ficou preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, descreve no livro Banho de Sol conversas em que o então ex-presidente demonstrava forte ressentimento e decepção com ministros do STF indicados por ele e por Dilma Rousseff.
A informação foi divulgada primeiro pela colunista Monica Bergamo, da Folha.
Os principais alvos das críticas eram Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux.
Na época, o STF rejeitava sucessivos pedidos de liberdade, restringia entrevistas e adiava julgamentos que poderiam anular as condenações de Lula na Operação Lava Jato.
Críticas a Cármen Lúcia
Em julho de 2018, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisava se Lula poderia se candidatar à Presidência, o petista teria chamado a ministra de “falsa humilde”.
Segundo o relato de Chastalo, Lula lembrou de uma conversa prévia à indicação dela ao STF, em 2006:
“A Cármen é uma falsa humilde, Chastalo. Conhece esse tipo de gente? Em uma conversa comigo, para que eu a indicasse ao STF, começou dizendo que seu primeiro brinquedo foi uma boneca de sabugo. E que seu pai tinha as mãos calejadas de trabalhar. E que aprendeu com seu pai que uma coisa muito importante na vida é a gratidão. E eu caí nessa!”
Em outro momento, Lula teria dito que foi dormir com “um ódio muito grande da Cármen Lúcia” e a chamou de “miserável”, além de afirmar que ela estava “insegura, fazendo merda”.
Ataques a Fachin e Fux
Sobre Edson Fachin, Lula teria dito que ele “é um filho da puta mesmo”.
O petista afirmou que não o indicou durante seu governo porque não confiava nele, e que Dilma Rousseff o consultou antes de nomeá-lo.
Lula ainda criticou o perfil religioso do ministro, comparando-o a alguém que “come hóstia hoje, mas faz merda amanhã”.
Em relação a Luiz Fux, a irritação teria surgido em 2018, quando o ministro derrubou uma autorização (concedida por Ricardo Lewandowski) para que a Folha e o El País entrevistassem Lula na prisão. Segundo Chastalo, Lula afirmou:
“O Fux passou mais de um ano frequentando toda cerimônia quando eu era presidente, com cara de cachorro pidão. Mas nunca confiei nele. Aí veio a Dilma e acabou nomeando esse canalha, por indicação do [Antonio] Palocci e do [Sérgio] Cabral.”
Lula foi libertado em novembro de 2019, após o STF – baseado em decisão de Fachin – mudar o entendimento sobre a prisão antes do trânsito em julgado.
Em 2021, o próprio Fachin anulou as condenações da Lava Jato por incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba, decisão mantida pelo Plenário.
fonte: Diário do Poder
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