Há uma regra não escrita na política brasileira que Lula domina como poucos: quando a realidade aperta, inventa-se um culpado.
De preferência, um que já esteja no banco dos réus da opinião pública.
Foi exatamente o que aconteceu após os Estados Unidos anunciarem novas sanções tarifárias contra o Brasil por “práticas abusivas”.
Procedimento técnico, burocrático, previsível.
Mas o presidente e seus marqueteiros decidiram que a verdade é um detalhe inconveniente.
Em vez de explicar ao país o que levou às sanções e apresentar uma estratégia clara de resposta, Lula subiu ao palanque e atribuiu a decisão americana a Flávio e Eduardo Bolsonaro — os “traidores”, nas palavras do presidente.
Foi além: mencionou enforcamento como destino desejável para ambos.
A pergunta que ninguém faz é simples: desde quando uma investigação comercial americana de quase um ano é culpa de dois senadores brasileiros?
A resposta é óbvia: não é. Mas a eleição está no horizonte, e na Praça dos Três Poderes só sobrou uma prioridade.
Discurso de ódio com endereço certo
Declarações de líderes políticos sugerindo a morte de adversários não são retórica inofensiva. São combustível.
Flávio Bolsonaro já usa colete à prova de bala nas ruas do Brasil.
Foi aconselhado a reforçar sua segurança após as declarações presidenciais.
E o histórico recente da América Latina não permite que ninguém finja surpresa caso algo aconteça.
E no Brasil, em 2018, uma facada quase tirou a vida de Jair Bolsonaro.
Quando o presidente da República sugere publicamente a morte de opositores, ele não está fazendo figura de linguagem. Está plantando sementes. E a história mostra que essas sementes germinam.


