Sexta, 7 de agosto de 2026 · Campo Grande, MS
Brasil

O vírus que contaminou as urnas eleitorais de 2022

Um vírus devastador nas urnas

A pandemia da Covid-19 não foi apenas uma tragédia sanitária. No Brasil, tornou-se também a principal arma política da eleição presidencial de 2022.

A gestão de Jair Bolsonaro foi submetida a um julgamento diário nas manchetes, nas redes sociais, na CPI da Covid e no debate eleitoral, criando um ambiente em que qualquer defesa do governo parecia irrelevante diante da avalanche de acusações.

A divulgação de documentos envolvendo Anthony Fauci reacendeu questionamentos sobre decisões tomadas durante a pandemia, inclusive discussões internas sobre a comunicação da eficácia das vacinas contra infecção e transmissão.

A decisão do então presidente Joe Biden de conceder um perdão preventivo a Fauci antes de deixar o cargo apenas ampliou as dúvidas e alimentou novas discussões sobre a condução daquele período.

Os documentos foram apresentados por congressistas para questionar a postura do governo em relação a hipóteses de vazamento do vírus no Instituto de Virologia de Wuhan, na China, e ao debate sobre medicamentos como a ivermectina.

Vacinas

Em uma entrada do diário de 13 de agosto de 2022, o epidemiologista detalha bastidores de uma tensão interna para conter um posicionamento do CDC que admitia a perda de eficácia das vacinas.

Fauci afirmou ter pressionado o órgão a recuar de uma declaração de “ausência absoluta de eficácia das vacinas contra infecção e transmissão”.

CPI do Circo

A CPI da Covid, comandada por Omar Aziz, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues, produziu um relatório de mais de mil páginas atribuindo ao então presidente uma série de crimes.

O documento foi tratado por muitos como uma sentença antecipada, embora sua função fosse apenas subsidiar investigações dos órgãos competentes.

“O tempo absolve alguns, condena outros e, às vezes, apenas expõe o que a política tentou esconder.”

Anos depois, o Supremo Tribunal Federal arquivou ações e investigações relacionadas à gestão da pandemia sem denúncia ou condenação de Bolsonaro por genocídio ou crimes contra a humanidade.

Outros pedidos baseados no relatório da CPI igualmente não prosperaram por falta de elementos que sustentassem essas acusações.

A gestão da Covid foi, reconhecidamente, um dos fatores de maior desgaste político para Bolsonaro e influenciou parcela significativa do eleitorado em 2022.

A exploração eleitoral de episódios e posturas adotadas na época afetou a imagem do ex-presidente perante eleitores indecisos

Na democracia, o eleitor decide uma única vez. A verdade, infelizmente, costuma chegar depois.

O mspontocom pergunta: se as informações hoje disponíveis fossem conhecidas naquela campanha, o debate eleitoral teria sido o mesmo?

A democracia depende de escolhas livres, mas escolhas livres exigem informação completa.

A História não muda o resultado das urnas. Mas pode mudar o julgamento sobre quem venceu e quem perdeu.

jornalista Marco Aurélio

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