Executiva da produtora relata ter sido ameaçada a apresentar denúncias em investigação.
A empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, registrou em cartório um documento em que denuncia ter sido pressionada, chantageada e ameaçada de prisão para fazer delação premiada contra o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O registro foi encontrado e apreendido pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10), durante a Operação Make Up, que cumpriu mandados contra ela e o deputado Mario Frias.
No relato de quatro páginas, Karina afirma que, se não aceitasse a delação — o que segundo ela equivaleria a “dizer mentiras” —, poderia ser alvo de operações policiais.
Ela não cedeu às pressões e nesta quinta-feira (10) foi alvo de operação policial.
“Como não cometi nenhuma irregularidade e como não fiz nenhuma delação premiada, tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política”, escreveu.
A orientação para formalizar os contatos partiu de conselheiros dela, como resguardo jurídico.
O documento descreve abordagens de pelo menos quatro pessoas ligadas, segundo ela, ao governo Lula (PT).
Uma delas seria Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney.
Karina relata que foi procurada em 20 de maio de 2026 e que o contato ocorreu em 22 de maio.
Na conversa, Sarney teria oferecido apoio jurídico, dito ter proximidade com o ministro Flávio Dino e sugerido uma “delação premiada”.
Também são citados um pastor cujo nome ela não cita, apontado como figura próxima ao Palácio do Planalto, e um jornalista.
Todos disseram-lhe que ela corria o risco de prisão, caso não delatasse.
Fernando Sarney negou contato com a empresária. Aliados do governo Lula também, claro.
A PF não detalhou o destino do documento, que segue em análise.
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