Quando um secretário de Estado americano sobe ao palanque para dizer que não tolerará mais ditaduras marxistas no hemisfério ocidental, há duas leituras possíveis.
Uma é a do discurso. A outra é a da prática.
E entre as duas costuma caber um oceano de conveniência geopolítica.
Marco Rubio (na foto com Trump) foi direto: a administração Trump não aceitará que regimes de inspiração chavista, cubana e madurista continuem operando como exportadores de instabilidade na América Latina.
A promessa de confrontar ditaduras que exportam miséria e repressão carrega um histórico que o hemisfério conhece bem.
Os EUA já prometeram isso antes. Várias vezes.
A pergunta que ninguém faz é simples: o critério é a democracia ou o alinhamento?
Rubio acusa — com razão — anos de acomodação e engajamento que fortaleceram adversários como Maduro e Ortega.
É uma crítica legítima. Governos anteriores, democratas em especial, apostaram em diplomacia branda que produziu poucos resultados concretos para os povos oprimidos desses países.
O regime venezuelano seguiu de pé. O cubano, inabalável. O nicaraguense, cada vez mais repressivo.
A declaração de Rubio tem mérito ao nomear o problema.
O chamado socialismo do século XXI produziu catástrofes verificáveis.
Venezuela, Cuba e Nicarágua são laboratórios de fracasso, e qualquer tentativa de romantizar esses regimes esbarra na realidade de milhões de refugiados.
O verdadeiro teste da administração Trump não será o que Rubio diz em coletivas de imprensa.
Será o que acontece quando a dureza prometida exigir custos reais — diplomáticos, econômicos e militares.
Será a disposição de aplicar o mesmo padrão a aliados incômodos. Será a coerência.
Os povos latino-americanos que sofrem sob ditaduras marxistas merecem mais do que discursos inflamados em Washington.


